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Sindipeças promoverá pequena empresa em 2010

Pequenas e médias empresas de autopeças vão ganhar atenção especial em 2010. “Elas representam a base da indústria automobilística e precisam ser fortes” – disse Paulo Butori, presidente do Sindipeças, entidade que representa os fabricantes de autopeças.
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10 dez 2009

3 minutos de leitura

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Butori justificou a iniciativa diante da fragilidade imposta ao segmento com as taxas de câmbio que favorecem as importações, a pressão dos competidores internacionais e a atual redução de 40% sobre as alíquotas de importação de autopeças. Esse desconto sobre as alíquotas vale para partes, peças e componentes utilizados em processo produtivo — não vale para o que for vendido na reposição.

Enquanto veículos completos pagam 35% de imposto de importação, a taxa média para componentes veiculares é de 8%. “Hoje mais de metade das peças dos carros brasileiros são fabricadas em outros países” – assegurou Butori durante simpósio promovido pela SAE Brasil em São Paulo.

O incentivo aos pequenos fabricantes associados ao Sindipeças será feito em diversas frentes, como treinamento e busca de pacotes de serviços mais competitivos. A entidade tem procurado fórmulas para estimular também a ajuda direta dos sistemistas aos fornecedores de menor porte, contribuindo para o aperfeiçoamento na gestão de operações, introdução de sistemas de qualidade, treinamento técnico e gerencial e busca de financiamento.

A cooperação na cadeia de suprimentos tem acontecido de cima para baixo, em direção aos pequenos fabricantes. O Sindipeças reconhece, no entanto, que falta ainda tornar essa corrente de solidariedade mais estruturada e sistemática, como já fazem Delphi, Bosch, ArvinMeritor e outros atores do setor, para fortalecer o supply chain.

Butori prometeu, durante o jantar de confraternização dos associados do Sindipeças, dia 8 de dezembro no Clube Monte Líbano, em São Paulo, empenhar-se junto ao governo, ainda este ano, para tirar “a pesada carga que pesa sobre as pequenas e médias empresas de autopeças”. Ele não quis entrar em detalhes sobre quais seriam as proposições.

O esforço do Sindipeças, que defende a produção local e o nível de industrialização no setor automotivo, acontece depois de anos de perda do controle nacional sobre o capital das empresas que se dedicam à produção de componentes.

A questão da desindustrialização vem à tona com intensidade e provoca debate entre os players do setor automotivo sobre a amplitude das alíquotas de importação e do grau de proteção às empresas locais. Seria adequado permitir um maior volume de importações de autopeças neste momento, quando a balança comercial já aponta um déficit avançando para US$ 2,7 bilhões este ano?

A resposta óbvia dos fabricantes pequenos e médios é ‘não’. Mas, e quanto aos sistemistas, que têm facilidade em importar componentes de outras subsidiárias para completar a montagem de seus sistemas? E o que dizer das montadoras, que têm igual facilidade para buscar no exterior componentes mais baratos?

Cledorvino Belini, presidente do Grupo Fiat, responsável por um quarto da produção brasileira de veículos, diz que a montadora não tem o propósito de promover a importação direta de componentes, embora conte com uma base global de suprimentos na Ásia. A decisão caberia aos próprios fornecedores.

Na prática, tanto montadoras quanto seus sistemistas estão conectados a parceiros globais para troca de informações sobre preços de peças e facilidades logísticas. Depende do governo ajustar o fiel da balança para definir o grau de abertura às compras externas.

Com o avanço do programa do Sindipeças em assistir seus pequenos associados, é de se esperar que venha por aí alguma contribuição do governo na mesma direção.