Para os executivos, Celso Manfrin, gerente de produtividade da Magneti Marelli, Luiz Paulo Reali, diretor-adjunto de manufatura de powertrain da Delphi, e Carlos Gallani, presidente regional da divisão ED (Electronic Dynamic) da Bosch para América Latina, os altos estoques (que têm demandado férias em algumas montadoras) ainda são a principal causa dos baixos níveis de produção. Isso afeta diretamente o índice de uso da capacidade. Alia-se o aumento da demanda ainda insuficiente para aquecer a produção local, avaliaram.
“Até junho não houve um grande aumento de demanda devido aos estoques”, disse Manfrin, acrescentando que há a perspectiva de melhora da demanda a partir de julho ou agosto. Ele afirmou que o gap entre produção e vendas está em 6%. Ainda assim, o executivo disse que podem ocorrer problemas pontuais de fornecimento de alguns componentes se houver forte concentração de atividades nos próximos dois meses.
A redução do IPI para automóveis foi considerada pela mesa um alento, uma injeção para a indústria, que pode permitir que o País alcance volumes recordes como os registrados em 2011.
REGIME AUTOMOTIVO
Os executivos avaliaram que o novo regime automotivo, que tem como primícia o incentivo ao uso de peças nacionais, ainda não gerou novos negócios. Segundo Reali, da Delphi, as newcomers, empresas do setor que confirmaram sua intenção de construir fábricas no Brasil para a produção de veículos, como Chery, JAC, Hyundai e Mitsubishi, já procuram as sistemistas instaladas por aqui para atender o índice de conteúdo local exigido pelas normas do regime. “Apesar desse movimento, ainda não alavancamos nenhum novo negócio”, afirmou, acrescentando que os novos clientes não teriam impacto na produção atual, ou seja, não exterminariam o problema da capacidade ociosa.
Reali revela que também não tem observado uma demanda adicional por parte das grandes montadoras, que já estariam preparadas para atender às exigências de conteúdo local do governo.
Manfrin lembrou que a necessidade de desenvolver fornecedores locais dependerá da linha de produtos demandados pelos clientes, citando o caso dos eletrônicos, cuja grande parte dos componentes é importada. Ele lembra que atender o cliente de acordo com sua necessidade dita por vezes o planejamento de produção e usa como exemplo a Magneti Marelli, que terá uma nova unidade produtora de sistemas de exaustão em Goiana (PE), para atender a Fiat.
“Além de inovação e conteúdo local, deve-se levar em conta a questão de custo logístico e quanto mais perto do cliente, melhor”, apontou.
Apesar do momento atual da indústria, os fornecedores afirmaram que não suspenderam os programas de investimento e estão dispostos a avançar na nacionalização dos componentes. Gallani acrescentou que as unidades no Brasil têm capacidade para aumentar o próprio conteúdo local, fabricando aqui produtos que já atendem as matrizes lá fora, o que também dependerá da demanda local.