
O Governo de SP anunciou nesta quarta-feira, 6, investimento de R$ 2 bilhões em projetos turísticos, o que inclui as obras do Programa de Turismo Ferroviário, anunciado em 2023.
“Estamos celebrando um crescimento de PIB de 3,3% até setembro deste ano e o Turismo representa 10% deste PIB”, afirmou o governador Tarcísio de Freitas, presente no evento.
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O dinheiro será repassado por meio do programa Creditur, que, com o novo aporte, somará R$ 6 bilhões em investimentos. Os primeiros R$ 4 bilhões já foram ofertados como crédito a agentes do setor no ano passado. No período, segundo o governo, o Creditur se consolidou como o maior programa de créditos turísticos do Brasil.
As obras ainda não têm data para começar. O Programa de Turismo Ferroviário é dividido em quatro frentes: criação de novas linhas, revitalização de linhas já existentes, desenvolvimento da memória ferroviária por meio da criação de museus e circuitos e governança, o que inclui cursos de capacitação, iniciativas de sustentabilidade e ofertas de crédito aos empreendedores.
Em relação à primeira frente, serão oito novas linhas. São elas:
Circuito 1 – Trem da Mantiqueira/Expresso Mantiqueira
Será uma linha de 35 km ligando Cruzeiro (SP) a Passa Quatro (MG). Ela terá um museu temático ferroviário no túnel, o Museu da Revolução Constitucionalista de 1932.
A Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) já opera um trecho de 10 km em Passa Quatro (MG), hoje chamado de Trem da Mantiqueira. O circuito, quando completado, irá impactar o turismo em 12 municipios.
Circuito 2 – Santos e Museu Ferroviário de Santos
Este circuito consistirá na recuperação da região do Cais do Valongo, com a adição de dois novos equipamentos turísticos: um trecho de trilhos, chegando ao ambiente urbano e ao pátio do Museu Ferroviário, e o Museu Ferroviário em si, utilizando os espaços do Armazém 1 do Cais do Valongo, o Armazém de Bagagem e a Praça de Integração.
O Museu Ferroviário de Santos também deverá integrar-se ao Trem Intercidades, possibilitando que a parada deste trem esteja próxima ao Museu, e que turistas provenientes de São Paulo e outras localidades possam chegar, de trem, ao Museu e ao Valongo.
Circuito 3 – Recuperação da Estrada de Ferro Campos do Jordão
Esta linha existe desde 1914, ligando Pindamonhangaba a Campos do Jordão. Entre a década de 1970 e 2017, foi dedicada ao transporte de passageiros. Hoje, apenas 7 km estão operantes, com fins turísticos, dentro do município de Campos do Jordão.
O governo do estado pretende recuperar o trecho entre Campos do Jordão e Santo Antônio do Pinhal, em um total de 9 km recuperados até os primeiros meses de 2025. A linha deverá ser concedida à iniciativa privada.
Circuito 4 – Trem dos Romeiros (São José dos Campos – Cachoeira Paulista)
A ideia é aproveitar melhor o potencial turístico da chamada “Rota da Fé”, que leva a Aparecida do Norte. Segundo o governo, a “Região da Fé” recebe um fluxo de turistas e visitantes que chega a 16 milhões de pessoas por ano (o que inclui Aparecida, Cachoeira Paulista, Canas, Cunha, Guaratinguetá, Lorena, Piquete e Potim). No entorno, são 15 municípios impactados, em uma região com mais de 2,5 milhões de habitantes.
A proposta é que o Trem dos Romeiros seja desenvolvido a partir da linha do Trem Intercidades que chegará a São José dos Campos, perfazendo o trecho entre São José dos Campos e Cachoeira Paulista. A Estação Ferroviária de Cachoeira Paulista será restaurada e passará a servir como sede e base do roteiro.
Circuito 5 – Trem Raízes do Interior (Boituva – Laranjal Paulista)
Consistirá em um trecho de 38,5 km entre as estações de Boituva e Laranjal Paulista, região turística que o governo chama de “Raízes do Interior”. O circuito deve se conectar ao Trem Intercidades Marília – Sorocaba.
Circuito 6 – Trem turístico da Mata Atlântica (Santos – Cajati)

Será um trecho de 198 km com a rota interna do Vale do Ribeira, atravessando a Mata Atlântica preservada da região. Além de apostar no turismo ecológico, a ideia é também criar uma rota ferroviária em meio à Mata Atlântica, mais rápida no acesso de algumas cidades do Vale do que através de rodovias.
Segundo o governo, a ferrovia também conseguiria trazer mobilidade, acessibilidade e uma rota turística para o Vale do Ribeira com sustentabilidade, integrando vários municípios sem abertura de nova rodovia, ou supressão de Mata Atlântica
Circuito 7 – Trem de Ipanema (Sorocaba- Iperó)
Trecho de 35,2 km que deverá ser integrado ao Trem Intercidades São Paulo-Sorocaba.
Circuito 8 – Ribeirão Preto (Barracão – Mogiana)
Consiste na ligação futura entre as estações Barracão (em Ribeirão Preto) e Mogiana (em Franca), as duas de grande significação histórica e cultural e integradas às duas cidades, no contexto do Trem Metropolitano Ribeirão-Franca. Vai usar parte da estrutura da Linha Tronco da Estrada de Ferro Mogiana, uma ferrovia histórica brasileira, construída no século 19, que ligava Campinas (SP) a Araguari (MG).