
A cada quatro automóveis e comerciais leves vendidos no Brasil em 2021, três eram Jeep, Fiat, Peugeot, Citroën ou RAM – marcas que pertencem à Stellantis. A companhia respondeu por 38% dos veículos emplacados no país entre janeiro e dezembro, com 635,5 mil unidades. Antonio Filosa, CCO da fabricante na América do Sul, avalia que a performance reflete a estratégia acertada de produtos e produção:
“O crescimento estava dentro do planejado para os nossos novos produtos, tecnologias, além da nossa estratégia para a fábricas e sinergia para a produção”, avalia o executivo.
O resultado coroa o primeiro ano de vida da companhia, formada em janeiro de 2021 a partir da fusão da antiga FCA – Fiat Chrysler Automóveis com o Grupo PSA. A empresa também alcançou a liderança do mercado na América do Sul, respondendo por 22,9% dos emplacamentos.
Filosa avalia que “um ou outro ponto porcentual de participação” pode ter vindo para a companhia como reflexo de uma gestão mais efeiciente da cadeia de fornecedores e da crise dos semicondutores, que fez faltar chips eletrônicos para fazer carros. Ainda assim, ele credita o sucesso à estratégia de longo prazo, não a questões pontuais.
O avanço da Fiat e da Jeep
O executivo enumera como acertos o lançamento do Pulse, primeiro SUV da Fiat, com fabricação na planta de Betim, e o bom resultado da Strada, que é primeira picape da história a ocupar a posição de veículo mais vendido do Brasil. Com isso, a marca cresceu 34% e garantiu 21,7% de participação de mercado, com larga margem à frente da Volkswagen, segunda colocada.
Já a Jeep ampliou os emplacamentos em 35% e alcançou 7,5% de market share. “E isso porque só tínhamos dois produtos na maior parte do ano: o Compass e o Renegade. O Commander começou a ser vendido apenas no último trimestre”, lembra o executivo.
Peugeot, Citroën e RAM vão alavancar crescimento em 2022
Mesmo com o resultado polpudo de 2021, Filosa aponta que a Stellantis está longe de alcançar um teto no mercado. “Queremos crescer mais”, determina. O plano é fortalecer a Fiat e a Jeep com a chegada de um novo SUV da marca italiana, além de colher os frutos dos lançamentos recentes.
A maior parte da energia, no entanto, será investida nas marcas que, segundo o executivo, estão com potencial subutilizado: Peugeot, Citroën e RAM. As três ampliaram seus resultados em 2021, mas ainda têm participação pequena nas vendas de 1,5% no caso da Peugeot, 1,2% a Citroën e ainda menor para a RAM, que tem o volume restrito com 2,7 mil emplacamentos.
A mudança já começou, aponta Filosa. Segundo ele, ao longo de 2021 já foram feitos ajustes na comunicação das marcas francesas e a companhia trabalha na análise geográfica dos pontos de venda e na precificação mais precisa dos produtos. “Ganhamos mercado, mas ainda temos muito para fazer pensando no que essas marcas e pessoas que estão trabalhando nelas merecem.”
Fechamento de fábrica está descartado
Com a estratégia abrangente para impulsionar todas as marcas, a Stellantis busca melhorar a ocupação da capacidade de todas as fábricas do grupo no Brasil, descartando o risco de fechamento de uma das unidades que foi levantado pelo mercado quando a Stellantis se formou e a planta de fluminense que pertencia ao Grupo PSA mostrava alta ociosidade.
“Vamos fazer na fábrica de Porto Real (RJ), até então subutilizada, um dos nossos principais lançamentos de 2022: o novo Citroën C3. Em Betim (MG), além do crescimento da demanda pelo Pulse, teremos o novo SUV da Fiat e, em Goiana (PE), esperamos crescimento da demanda pelo Commander, além do Renegade e do Compass”, aponta Filosa.
O executivo espera que o Pulse rapidamente ocupe lugar entre os principais veículos da Fiat em vendas no Brasil. O modelo também começará a ser exportado ainda no primeiro semestre para outros países da regiões. “Estamos em fase de homologação”, conta.
Segundo Filosa, Com tantas marcas sob seu guarda-chuva, a Stellantis tem buscado ocupar os “espaços em branco” do mercado, atuando onde há pouca oferta e, ainda assim, evitando canibalização entre seus próprios modelos. Ele cita o exemplo do Fiat Pulse, que está no mesmo segmento do Citroën C4 Cactus, do Jeep Renegade e do Peugeot 2008, mas destaca que cada um dos veículos atende a perfis diferentes. “Alguma competição interna é saudável, mas desde que seja planejada. Queremos expandis a oferta garantindo que cada carro tenha um papel próprio”.
