
A ofensiva global de veículos elétricos chineses segue promovendo mudanças na indústria automotiva. Após a guerra de preços deflagrada nos principais mercados do mundo, o movimento agora leva as montadoras ocidentais a rever a sua estrutura de fornecedores.
Em entrevista recente concedida na Itália a um grupo de repórteres, o CEO da Stellantis, Carlos Tavares, deu a entender que a Stellantis procura novas formas de cortar custos para brigar em melhores condições com os concorrentes chineses no segmento de elétricos.
Uma das formas seria passar a produzir internamente peças que, hoje, estão nas mãos de fornecedores. O processo é chamado de verticalização, no qual a montadora controla a compra da matéria prima, a manufatura e a distribuição do componente.
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A prática nos remete, inclusive, aos primórdios da indústria automotiva, quando as montadoras produziam praticamente todos os componentes do veículo que produzia.
“Quando os fornecedores não correm na mesma velocidade de nossas equipes, nossas equipes veem um grande benefício na fonte”, disse Tavares em uma teleconferência. “Você chega à conclusão de que o que você terceirizou pode ser feito internamente.”
Verticalização da Stellantis geraria impacto em toda a cadeia
Se a sinalização do alto executivo da Stellantis não for apenas uma espécie de pressão na cadeia de fornecedores para que os custos caiam ainda mais, a verticalização da montadora poderá causar um forte estrondo em sistemistas e autopeças dos mais variados níveis.
Para se ter uma ideia, a Stellantis, no Brasil, despende R$ 60 bilhões anualmente na compra de componentes produzidos no país, ou cerca de € 10,4 bilhões. Em mercados maiores, o volume provavelmente é maior do que isso.
O fato é que as montadoras ocidentais articulam meios e maneiras para obter recursos. E, assim, tornar os seus veículos elétricos mais ou tão competitivo quanto seus pares chineses.
Não está sendo fácil, a ponto de algumas montadoras já demonstrarem que jogaram a toalha na disputa, vindo a público dizer que até que não seria um mal negócio iniciar o processo de transição rumo à eletrificação pura via modelos híbridos.
O fato é que a Stellantis com essa inclinação à verticalização industrial adiciona um elemento a mais a sua busca por cortes de custos. Algo que nos Estados Unidos já provocou, inclusive, batalhas judiciais com fornecedores locais. A queda de braço segue.
