
A Stellantis acredita que os impostos de importação mais altos para os carros chineses representam uma “grande armadilha” para os mercados que adotarem tal postura.
Segundo Carlos Tavares, CEO da Stellantis, a alíquota maior pode forçar, ainda que indiretamente, as montadoras europeias a se reestruturarem em nome da sonhada redução de custos – algo que o executivo reprova veementemente.
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“Quando você luta contra a concorrência para absorver 30% dos custos de competitividade para enfrentar os chineses, existem consequências sociais. O problema é que os governos da Europa não querem encarar essa realidade no momento”, declarou Tavares.
Em evento realizado pela Reuters, o português disse que as tarifas maiores só fomentam a inflação nas regiões onde são impostas, podendo impactar nas vendas e produção.
Europa pode sobretaxar carros da China, que ameaça retrucar
O discurso de Tavares acirra ainda mais a tensão entre China, Europa e Estados Unidos em relação às políticas comerciais para carros elétricos. A expectativa é que a União Europeia decida até junho se vai seguir a postura dos EUA, que quadruplicou o imposto de importação sobre veículos elétricos chineses.
A nova alíquota começa a valer no mercado norte-americano a partir de 1º de agosto. Em resposta, a China ameaça pagar na mesma moeda e taxar excessivamente os produtos vindos da Europa.
“Não vai ser nada fácil para as concessionárias nem para os fornecedores. Não será fácil também para as fabricantes de autopeças. Como sabemos na Europa, todos defendem mudanças desde que elas não afetem a si próprios”, declarou Tavares.
Se não pode vencê-los…
A reação é uma resposta velada ao governo da Itália, que pressiona a Stellantis a garantir a produção de 1 milhão de veículos por ano no país. Em 2023, a empresa fabricou 750 mil unidades em solo italiano. A situação ficou mais tensa após a montadora revelar que pode produzir carros chineses em suas fábricas na Europa.
Tavares fez um alerta sobre o rápido crescimento das montadoras chinesas, que estão perto de chegar à marca de 1,5 milhão de veículos vendidos na Europa.
“Se nós deixarmos a participação das marcas chinesas crescerem (no mercado europeu), então é óbvio que vamos incentivar um excesso na produção (de veículos), a não ser que você decida lutar contra esse competidor”, afirmou.
O CEO da Stellantis revelou que está em meio a “discussões bastante proveitosas” com os sindicatos dos metalúrgicos das fábricas da empresa na Europa.
“Na maior parte do tempo eles concordam conosco em relação aos riscos que estamos enfrentando e quais medidas devem ser tomadas”.
Vale lembrar que, na semana passada, a Stellantis confirmou o plano de internacionalização da Leapmotor. A partir do segundo semestre, a empresa vai comercializar modelos da marca chinesa de carros elétricos em vários mercados globais, incluindo a América do Sul – e, claro, o Brasil.