
O objetivo principal é prosseguir com a meta de manter o aquecimento global neste século abaixo de 2 oC, estabelecida pelo Acordo de Paris de 2015.
Enquanto os países quebram a cabeça para elaborar uma declaração final e o público aguarda para saber o quão rígidas serão as propostas acordadas, Mobility Now compila 8 acontecimentos da conferência que terão influência direta ou indireta na mobilidade.
Confira:
1) Lançada a Aliança Além do Petróleo e Gás
No dia 11 de novembro, a Dinamarca e a Costa Rica lançaram a Aliança Além do Petróleo e Gás, uma iniciativa para facilitar a eliminação do uso de combustíveis fósseis. França, Groenlândia, Irlanda, Quebec e Suécia também entraram no grupo.
O mais interessante é que a aliança foi criada por países que não são considerados “líderes” no cenário climático, como EUA, Reino Unido e Alemanha. Essa inversão de protagonismo também levantou questões: por que os países mais poluidores não estão fazendo mais?
2) Várias cidades e montadoras prometem parar de vender carros a combustão até 2040
Também no dia 11, foi assinada a Glasgow Declaration on Zero Emission Cars and Vans. Trata-se de um acordo sem compromisso legal em que diversos países, cidades, empresas e montadoras se comprometem a parar de vender ou usar carros a combustão até 2040.
São Paulo foi a única cidade brasileira a assinar e o Brasil, como país, não assinou. Outros que se omitiram foram Japão, Coréia do Sul, Alemanha, China e EUA.
Entre as montadoras, as signatárias foram Jaguar, GM, Ford, Mercedes-Benz e Volvo. Não assinaram: BMW, Honda, Stellantis, Toyota e Volkswagen.
3) Um novo programa de mobilidade elétrica para países em desenvolvimento
O Global Environment Facility (GEF), um fundo internacional que existe desde os anos 90 para repassar recursos para iniciativas sustentáveis em países em desenvolvimento, apresentou uma nova iniciativa na COP26. Chamado de “Programa Global do GEF para e-mobilidade”, o programa é supervisionado pela Agência Internacional de Energia.
O programa terá duração de cinco anos e beneficiará 50 países. O auxílio virá na forma de criação de estratégias e metas, desenvolvimento de modelos de negócios e preparação para a chegada dos veículos elétricos.
4) Cidade de São Paulo promete 20% da frota de ônibus carbono zero até 2024
Marta Suplicy, secretária municipal de Relações Internacionais de São Paulo, discursou na COP26 no dia 9. Ela criticou o governo Bolsonaro e destacou a cidade como um “baluarte contra o negacionismo climático e científico”.
Em termos de iniciativas sustentáveis, Marta falou principalmente sobre transporte. Disse que o setor representa 62% de todo o gás carbônico lançado na atmosfera na cidade e falou do Plano de Ação Climática do Município de São Paulo 2020-2050 (PlanClima-SP), que pretende eletrificar a frota de ônibus da capital.
“Já estamos sob trabalho intenso para ter uma frota de ônibus com matrizes energéticas limpas no curtíssimo prazo. Nosso programa de metas já considera que 20% da frota seja carbono zero até 2024. Um compromisso que exige planejamento, disponibilidade de recursos internacionais e locais”, disse a secretária.
5) EUA prometem US$ 200 bilhões para países pobres
O representante enviado pelos EUA, John Kerry, disse em uma conferência de imprensa que os US$ 100 bilhões anuais prometidos pelos países ricos aos países pobres para ajudar a combater os efeitos da mudança climática devem chegar finalmente em 2022. “Para 2022, nós agora temos os US$ 100 bilhões completos que queríamos e mais US$ 100 bilhões para depois, então a gente tira esse problema da mesa e isso muda a dinâmica”, ele declarou.
Essa é uma promessa antiga, feita pelos países ricos em 2009, durante a COP15. Desde então, o valor do repasse nunca chegou aos tais US$ 100 bilhões, embora os dados oficiais nunca tenham sido revelados. Assegurar que o repasse atingisse o valor acordado era uma das metas da COP26.
6) Mais dinheiro para o Fundo de Adaptação
Criado em 2001, o Fundo de Adaptação é outra ferramenta internacional para ajudar os países mais pobres a se adaptarem às mudanças climáticas. 88 países são beneficiados. Na COP26, vários países ricos, como EUA, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Suécia e Espanha prometeram um novo repasse de US$ 232 milhões a esse fundo.
7) 20 países prometem parar de financiar novos projetos de petróleo e gás no exterior a partir de 2023
20 países assinaram um acordo no dia 4 de novembro comprometendo-se a parar de financiar projetos envolvendo petróleo e gás no exterior após o final de 2022. Isso inclui refinarias, bases de extração e afins. O ato foi considerado um grande passo na jornada para mitigar as mudanças climáticas.
Entre os signatários estão EUA, Canadá, Itália, Costa Rica, Finlândia, Dinamarca, Etiópia e Nova Zelândia. Juntos, esses países investiram cerca de US$ 18 bilhões por ano entre 2016 e 2020 nesse tipo de projeto, de acordo com a ONG Oil Change International.
Nenhum país asiático assinou, o que gerou críticas, pois a Ásia é a principal financiadora de iniciativas estrangeiras de extração de combustíveis fósseis.
8) Brasil promete cortar emissões de carbono em 50% até 2030 e 100% até 2050
No dia 3 de novembro, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, fez um discurso na abertura da COP26 em que prometeu cortar as emissões de carbono do Brasil em 50% até 2030 e em 100% até 2050. Antes, a promessa era cortar 43% até 2030.
Para conseguir essa meta, o governo anunciou uma série de medidas:
– Zerar o desmatamento ilegal até 2028: 15% por ano até 2024, 40% em 2025 e 2026, e 50% em 2027, comparando com o ano de 2022
– Restaurar e reflorestar 18 milhões de hectares de florestas até 2030
– Alcançar, em 2030, a participação de 45% a 50% das energias renováveis na composição da matriz energética
– Recuperar 30 milhões de hectares de pastagens degradadas
– Incentivar a ampliação da malha ferroviária
Apesar disso, o brasil foi criticado por suas emissões terem aumentado 9,5% e pelo desmatamento da Amazônia ter alcançado o maior índice em 12 anos em 2020. Ambientalistas acusaram o Brasil de “greenwashing”, ou seja, fazer promessas vazias para poder receber dinheiro internacional voltado à mitigação dos efeitos climáticos. De fato, durante seu discurso, Joaquim Leite cobrou os investimentos estrangeiros que são prometidos desde a COP15.