
A empresa assegura que a situação não foi intencional. “Pedimos desculpas por não seguir as regras”, declarou o CEO da companhia Osamu Suzuki, à imprensa da região. A companhia garante ainda que novos testes foram feitos dentro da legislação atual e os dados obtidos nas medições não são muito discrepantes.
A Suzuki calcula que a situação afeta 2,1 milhões de veículos no Japão, mas que nenhum carro exportado está envolvido. A empresa se especializou na produção de minicarros, modelos equipados com motores de até 660 centímetros cúbicos bastante populares no país. Estes veículos recebem incentivos tributários do governo e a empresa detém um terço deste mercado.
O posicionamento da Suzuki acontece apenas após a Mitsubishi ter se envolvido em escândalo por supostamente burlar as regras de consumo de combustível com seus carros. Diante do caso, o governo japonês anunciou que levantaria dados de eficiência energética de todas as montadoras
COREIA DO SUL INVESTIGA NISSAN
Já a Nissan é acusada de fraudar testes de emissão na Coreia do Norte. O governo do país quer multar a fabricante japonesa em US$ 279,9 mil por burlar a legislação da região com o Qashqai, além de obrigar a empresa a realizar recall.
Esta é a primeira vez que a companhia é acusada formalmente em um caso do gênero. A empresa teria sido pega em testes realizados por autoridades da região como consequência do escândalo do Grupo Volkswagen. Foram analisados mais de 20 carros a diesel, mas só a Nissan teve problemas com os resultados.
Autoridades coreanas constataram que os dispositivos responsáveis por reduzir o nível de emissões do carro param de funcionar quando o motor atinge temperatura de 35 graus, o que acontece cerca de 30 minutos depois de o automóvel começar a funcionar. Há carros que desligam o sistema de controle de emissões quando chegam a 50 graus para prevenir superaquecimento, mas nenhum outro modelo faz isso em temperatura tão baixa quanto o Qashqai, indicam as autoridades.
Há controvérsias acerca da decisão do país asiático. O veículo é fabricado na planta de Sunderland, na Inglaterra, que garante que testes feitos na região não indicam qualquer evidência de fraude. Apesar disso, a análise feita no Reino Unido foi focada em modelos Euro 5, enquanto os testes coreanos foram realizados em carros Euro 6.
Os veículos da marca também foram submetidos a testes da União Europeia, que concluiu que a montadora não usa nenhum dispositivo ilegal para mascarar suas emissões. A Nissan nega com veemência as acusações da Coreia.
MONTADORAS NA MIRA
Conheça as empresas que já foram questionadas sobre o controle de consumo e de emissões de seus veículos:
-Grupo Volkswagen: a companhia alemã é responsável pelo dieselgate, um dos maiores escândalos da história da indústria automotiva. A empresa admitiu ter fraudado as emissões de 11 milhões de carros vendidos em vários países, incluindo o Brasil (leia aqui). O problema, que afeta veículos das marcas Volkswagen, Audi e Porsche, motivou a renúncia do presidente do Grupo, Martin Winterkorn, que foi substituído por Matthias Müller. Com o caso, descoberto em setembro de 2015, a organização chamou a atenção para a possibilidade de fraude em outras montadoras.
-Mitsubishi: em abril deste ano foi a vez de a empresa japonesa entrar na mira das investigações. Inicialmente a indicação era de que a fabricante japonesa teria fraudado informações de consumo de combustível de 625 mil minicarros, modelos vendidos no Japão com motores de até 660 centímetros cúbicos. Há suspeitas, no entanto, de que o número de veículos envolvidos pode ser muito maior, com carros produzidos desde 1991. Em meio ao escândalo, Tetsuro Aikawa, presidente da companhia, renunciou ao cargo.
-Suzuki: diante da crescente investigação do governo japonês, a empresa decidiu vir a público e anunciar que usou método antigo para testar o consumo de seus carros. A empresa garante que o falha não foi intencional e que os resultados não são tão diferentes dos que seriam obtidos caso a companhia utilizasse o método correto. Segundo a fabricante, a situação afeta 2,1 milhão de unidades vendidas no Japão.
-Nissan: é a segunda empresa a ser acusada oficialmente de fraude depois da Volkswagen. Motivadas pelo escândalo da montadora alemã, autoridades da Coreia do Sul decidiram testas veículos vendidos no país e constataram que o Qashqai pode recorrer a um software ilegal para reduzir as emissões de poluentes do motor. A Nissan nega ter utilizado este recurso.
-Opel: entidade de defesa do meio ambiente alemã acusa a marca europeia da General Motors de instalar software em seus carros a diesel que desliga o controle de emissões em algumas situações. O CEO da companhia, no entanto, Karl-Thomas Neumann, assegura que as acusações não têm qualquer fundamento.