
Passado um ano após o assentamento da pedra fundamental de sua fábrica no Uruguai, realizado em abril de 2011, a Takata inicia as operações da planta que consumiu investimento equivalente a US$ 12 milhões, em terreno, edifício e maquinário, e que complementará a produção brasileira de sistemas de airbag, fabricando as bolsas do conjunto que será montado em Jundiaí (SP), onde também produz volantes e cintos de segurança. A empresa abriu oficialmente as portas de sua nova unidade na América do Sul na quinta-feira, 3, mas desde novembro que a linha funciona. A cerimônia contou com a participação do presidente e COO da Takata Corporation, Shigehisa Takada, do presidente para a América do Sul, Shigeru Otake, do vice-presidente, Airton Evangelista, além da presença do presidente do Uruguai, Jose Mujica, e de outros representantes do governo local.
Terminados os testes de qualidade, a produção comercial começou em fevereiro e o primeiro lote com 5 mil unidades desembarcou no Brasil em março. O fornecimento de bolsas é a primeira fase da produção uruguaia, afirma o presidente da Takata para América do Sul, Shigeru Otake. Segundo o executivo, o plano é incluir a montagem de todo o sistema de airbag para abastecer as montadoras instaladas no Brasil e na Argentina. Contudo, esta segunda fase ainda não tem data definida para começar. “A planta do Uruguai tem condições de receber a produção completa do airbag, mas dependemos da demanda do mercado”, explica. A expectativa do executivo é de que em 2012 a nova linha entregue 1,2 milhão de bolsas, um quinto de sua capacidade total, de 6 milhões de unidades por ano. Além do Uruguai, a Takata produz bolsas de airbag na Romênia (de onde importa o tecido para confecção do produto uruguaio), China, Tailândia, Filipinas e México.
A escolha pelo Uruguai está ligada diretamente ao custo de produção. Segundo os cálculos da empresa, com o custo Brasil atual, a importação compensava mais do que a produção local. O resultado levou a companhia a considerar outros membros do Mercosul. No Uruguai, a Takata obteve incentivos fiscais como parte do plano do país em atrair mais empresas do setor automotivo e aumentar a oferta de empregos. Os principais estímulos incluem o menor custo de mão de obra e isenção do imposto de importação do tecido usado na fabricação da bolsa, alíquota que no Brasil chega a 26%. A Argentina também entrou no páreo para receber a nova planta, mas foi descartada por causa dos problemas políticos.
Contudo, Otake revela que a falta de tradição industrial do Uruguai é uma das principais dificuldades enfrentadas pelo setor: “Fabricar um produto de segurança exige qualidade de componentes e de equipe e o processo de treinamento requer tempo”, disse. A Takata Uruguai começou suas atividades com 50 funcionários, o que deve chegar a 120 até o fim deste ano. Em 2014, a empresa espera contratar 400 pessoas.
Até lá, o mercado de airbags no Brasil deverá estar em 10 milhões de unidades, estima Otake, cujo plano é manter o mesmo índice de participação do mercado, hoje em 50%. O executivo acrescenta que a produção uruguaia será responsável pelo abastecimento de bolsas de airbags de toda a região da América do Sul, incluindo o México, que também produz airbags.