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Tempo de planejar

O Brasil se prepara para um passo importante ao tornar obrigatório o uso de airbags duplos frontais nos automóveis e picapes, de forma escalonada, até 1º de janeiro de 2014. No entanto, há vários aspectos a considerar, entre eles as implicações jurídicas ainda não devidamente avaliadas. Por esse motivo foi bastante útil o seminário, realizado recentemente em São Paulo pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), que estabeleceu o debate entre tecnologia e legislação quanto à segurança veicular.
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cria

11 nov 2009

4 minutos de leitura

Outros países já passaram por esses temas. Nos EUA, o airbag para motorista é compulsório desde 1987 e dez anos depois, motorista e passageiro ao lado. Na Europa, não são obrigatórios, mas desde 1994 estabeleceram-se critérios biomecânicos de proteção aos ocupantes em impactos frontais que, indiretamente, levou todos os fabricantes a instalá-los. Alguns chegaram a atingir os critérios exigidos, mas as margens eram pequenas e optaram pelas bolsas de ar.

Na realidade, airbag é um sistema auxiliar de retenção que funciona muito mal, se os ocupantes não estiverem usando cintos de três pontos. Estudos recentes do órgão de segurança americano apontam que, em testes padronizados de choque frontal, só os cintos reduzem em 50% o risco de morte. Com ocupantes protegidos por cintos e airbags, a taxa de sobrevivência sobe para 61%, portanto bem menos do que a maioria imagina.

Marcelo Bertocchi, da GM, explicou que nos EUA usuários podem solicitar o desligamento do sistema, em procedimento às autoridades, se tiver baixa estatura ou transportar crianças em picapes, por exemplo. Lá ocorreram ações judiciais sobre o componente não inflar e levou à formação de peritos especializados visando jurisprudência. O dispositivo só é acionado em certas condições de desaceleração e ângulo da colisão. Assim, o Brasil deveria planejar desde já campanhas para explicar o funcionamento dos airbags, suas limitações, as etiquetas de advertência.

Direcionar tecnologias é incorreto. Henrique Martins, da Ford, exemplificou sobre apoios de cabeça. Cada fabricante no exterior pesquisou uma solução. O sistema mais caro, de apoio móvel, mostrou-se menos eficiente do que o de apoio fixo acoplado à mudança de angulação do encosto dos bancos dianteiros quando do acidente. Por isso, a legislação deveria exigir o que fazer e não como fazer.

Celso Mazarin, da Chris, lamentou a falta de regulamentação dos cintos com pré-tensionador e alívio de carga. Seu custo-benefício teria grande alcance no atual estágio econômico.

Aspecto importante no seminário foi abordado pelo engenheiro e professor da USP Ronaldo Salvagni. Propôs um enfoque mais técnico ao analisar os acidentes que levam o País ao índice assustador de 70 mortos/ano para cada 10.000 veículos (35.000 mortos, no total). Na realidade, o índice passa de 100 porque a frota é 30% menor do que os registros oficiais. Os atuais boletins de ocorrência previstos em lei voltam-se mais à descoberta dos culpados. Ele propõe formulários, como os utilizados na Austrália, que destacam elementos para ajudar na segurança veicular. Esses peritos específicos organizariam um banco de dados inigualável para pesquisas.

RODA VIVA

ANFAVEA admite que o mercado interno, em 2009, deve superar em pelos menos 60.000 unidades as 3 milhões previstas até agora, ao avaliar o mês recordista de outubro. Produção anual, entretanto, deve recuar em relação a 2008 em função dos mercados externos ainda retraídos. A coluna avalia que pela primeira vez vamos importar mais veículos do que exportar.

TAMBÉM a Fenabrave reviu previsões para cima, igualando-as às dos fabricantes. Próximas ao consumidor final, concessionárias costumam acertar mais, porém dessa vez vacilaram. Apesar de estoques atuais abaixo da média, a entidade não acredita que a partir de janeiro, com fim do desconto do IPI, preços subam ao nível anterior. Se ocorrer, rampa será suave.

TALVEZ o melhor trabalho, em dez anos, do chefe de desenho do Grupo VW, Walter de’Silva, tenha sido no Audi A5. Trata-se de um cupê de linhas realmente belas, irretocáveis, mais bem apreciadas na cor branca. Até as rodas de 19 pol de diâmetro são lindas. Motor V6 de 265 cv não se mostra tão forte e atualizado como o de 290 cv do A6, mas dá e sobra, ao testar o conjunto.

DEPOIS de cerca de uma década de pesquisas, os cintos de segurança infláveis da Ford vão marcar um avanço importante na segurança de passageiros do banco traseiro. Lotação completa aparece com menos relevância em estatísticas mundiais. Utilitário Explorer será o primeiro a utilizar o recurso em 2011.

CONTRAN vai acabar com a festa de desrespeito aos motoristas em órgãos de trânsito. Em breve, regulamentará prazos de cobrança de multas (hoje ao deus-dará) e de julgamento das apelações, em Jaris e Cetrans. Agora mesmo, a cidade de São Paulo aumentou tanto o número de multas que não deu conta do registro de transferência de pontos do infrator.

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10 de novembro de 2009