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Redação AB, com informações do Estadão, Automotive News, BBC Brasil e agências internacionais
O setor automotivo começa a contabilizar os efeitos devastadores do terremoto de 8,9 graus que atingiu o Japão, seguido de tsunamis com ondas de até dez metros no litoral, provocando um grande número de mortes. Dezenas de fábricas de veículos e componentes foram fechadas em função de danos ou para avaliação do impacto nas operações logísticas de suprimento e distribuição.
Na Toyota pelo menos doze plantas para veículos e componentes estarão paralisadas até esta segunda-feira e praticamente todos os modelos exportados para os Estados Unidos, a partir do Japão, como Prius, Corolla, Lexus e Scion, podem ser afetados. As subsidiárias Kanto Auto Works e Central Motors manterão suas plantas fechadas. Em conjunto as unidades da Toyota paralisadas respondem por 45% da produção global da empresa.
A Volvo AB, que emprega dez mil pessoas no Japão, interrompeu as atividades na sua principal unidade. A Daimler informou danos leves na unidade Mitsubishi Fuso Truck and Bus Corp em Kawasaki, onde a produção pode prosseguir. A companhia possui 12.836 empregados no Japão e nenhum foi ferido.
A Mitsubishi deve manter paralisadas as três plantas até a terça-feira. Movimentos equivalentes acontecem na Honda e Nissan.
Pelo menos 2.300 veículos da Nissan e Infiniti à espera de embarque para os Estados Unidos e expostos em lojas foram danificados na sexta-feira, quando o tsunami varreu o porto de Hitachi.
A Fuji Heavy Industries, fabricante dos carros Subaru, fechou cinco fábricas após o terremoto e não há prazo para retomada. Mazda e Suzuki, embora estejam longe das áreas atingidas, ainda dependem de avaliações no impacto de suprimentos para voltarem à normalidade.
A Autoliv Inc., fabricante de cintos de segurança e airbags, paralisou uma das três unidades em função de danos na infraestrutura. A marca atende a Nissan, Toyota, Mitsubishi, Honda e Mazda.
Pior crise
A BBC Brasil escreve que o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, afirmou neste domingo, 13, que o país enfrenta a crise mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial. “O terremoto e tsunami, e também a situação que diz respeito à usina nuclear de Fukushima, são talvez as adversidades mais difíceis que enfrentamos desde a Segunda Guerra Mundial, em 50 anos.”
O premiê também afirmou que o país terá que implementar um programa de cortes de energia. Kan citou a situação na Usina Nuclear de Fukushima, que sofreu uma explosão em um de seus reatores no sábado, 12, e corria risco de uma segunda explosão.
“Há uma grande possibilidade de continuar a faltar eletricidade e existe possibilidade de cortes do fornecimento de eletricidade em larga escala, afetando a vidas das pessoas e as atividades industriais”, afirmou Kan.
Cerca de 310 mil pessoas foram levadas para abrigos de emergência, muitos deles sem energia elétrica, informou a emissora pública de TV japonesa NHK. A polícia do Japão afirmou que o número de mortos apenas na província de Miyagi pode passar dos dez mil. Em Miyagi está o Porto de Minamisanriku, levado pelo tsunami na costa de Honshu, 400 quilômetros a nordeste de Tóquio, na tarde de sexta-feira.
Foto: A TV pública NHK mostrou imagens de barcos e carros sendo arrastados pelo tsunami na região mais a leste de Tóquio. Reprodução da Agência Brasil.