
O forte terremoto que atingiu Taiwan teve consequências devastadoras no país. Além das 12 vítimas fatais (até a data de publicação deste texto, 5 de abril), mais de 1,1 mil pessoas ficaram feridas e 10 seguem desaparecidas.
Ainda não se sabe quais serão as consequências na economia local do tremor que atingiu 7.5 graus na escala Richter. Evidentemente, a produção nas fábricas em regiões atingidas foi suspensa. Isso inclui as atividades nas fábricas de semicondutores, uma das principais áreas de atuação das empresas de Taiwan.
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A TSMC, que fornece chips para gigantes do setor de eletrônicos (como Apple e Nvidia) e montadoras de automóveis, transferiu funcionários de algumas áreas e disse que está avaliando o impacto do tremor em sua produção.
Sua concorrente United Microelectronics também paralisou as atividades em algumas fábricas e evacuou instalações em suas fábricas em Hsinchu e Tainan.
Como alguns chips de alta tecnologia precisam ser produzidos em um regime de 24 horas nos 7 dias da semana, o terremoto pode ter prejudicado a produção de milhares deles.Produção de chips não deve ser afetada por tanto tempo
Cenário ainda não é problemático
Assim como em outros setores, a indústria automotiva teme por uma nova crise de semicondutores – como a que atingiu o setor no auge da pandemia. Apesar do cenário preocupante, parece que não há motivo para pânico – ao menos por enquanto.
“As fábricas modernas daquela região operam com sistemas de segurança que são capazes de parar toda a linha de forma automática para evitar maiores danos aos equipamentos e garantir a segurança aos trabalhadores. Claro que inspeções nas linhas de produção estão ainda acontecendo para a verificação e validação se os sistemas estão 100% saudáveis mas em teoria basta ‘ligar o forno’ para que uma nova fornada saia sem problemas”, afirma Milad Kalume Neto, diretor de novos negócios da Jato Dynamics.
Fornecimento de semicondutores pode ser afetado, mas…
O executivo reconheceu que o fornecimento de semicondutores pode ser afetado. Ainda que a produção atual de chips seja descartada, a decisão “afetará apenas um pequeno conjunto de itens”.
“Se (o terremoto) afetar as entregas, serão apenas pequenos atrasos e que serão plenamente gerenciáveis pelos fabricantes (de semicondutores), seja por peças em estoque ou por deslocamento da produção para outros produtos. Não teremos uma parada completa na produção”, assegura.
Outro ponto que dá certa tranquilidade às montadoras é o fato de as fábricas já trabalharem acima de 70% de sua capacidade produtiva, segundo a mídia chinesa.
Situação é bem menos grave do que na pandemia
Por fim, o cenário atual é completamente diferente do encontrado na pandemia, quando a necessidade de isolamento social brecou a demanda por automóveis e alavancou o consumo de eletrônicos – ambos precisam de semicondutores para funcionarem corretamente.
“Naquela época a produção de veículos foi quase a zero e a indústria de laptops, celulares e televisões estavam aceleradas para atender a nova demanda de consumidores que estavam ‘presos’ em suas casas”, diz Milad.
“Quando a produção de automóveis foi reestabelecida e os pedidos por novos eletrônicos foram retomados, a demanda de clientes de outros setores estava alta e a indústria automotiva teve que ‘entrar na fila’ para ser atendida, bem como se sujeitar a preços mais elevados motivados pela regra econômica da lei da oferta e demanda”, lembrou.
