
Os atos terroristas que ocorreram no domingo, 8, em Brasília (DF), no Palácio do Planalto, Congresso Nacional e Supremo Tribunal Federal (STF), não ficaram apenas na depredação do patrimônio público. Também repercutiram, e negativamente, dentro do setor automotivo.
Na quinta-feira passada, a Fenabrave, entidade que representa as concessionárias, falava em vendas estáveis em 2023 “se nenhum fato novo ocorresse” além da falta de peças, conflito Rússia-Ucrânia e crédito restrito. Os ataques golpistas, no entanto, têm potencial para fazer com que essa expectativa se deteriore.
“Quando ocorre um fato como esse, as pessoas, ou melhor, os consumidores, ficam sem saber o que vai acontecer. E uma das primeiras atitudes tomadas é postergar planos. Isso também vale para investidores, que adotam postura de cautela frente cenários incertos”, disse Milad Kalume Neto, consultor da Jato Dynamics.
E um mercado ainda mais retraído é tudo o que as montadoras e o setor de distribuição de veículos lutam para evitar, e não poderia ser diferente: depois de mais de três anos pandêmicos, com falta de chips e outras peças, a cadeia de valor não quer outra coisa senão retomar o ritmo nas linhas de produção e nos pontos de venda.
Mas fatos como a barbáriena capital federal jogam contra as pretensões da indústria, principalmente porque têm poder para criar insegurança no mercado, disse o consultor. A Anfavea, entidade que representa as fabricantes de veículos instaladas no país, reconheceu na segunda-feira, 9, por meio de nota, que o episódio afeta negativamente a imagem do Brasil e “compromete também o ambiente econômico e de investimentos”.
Pauta das montadoras segue seu curso
Apesar da proporção e dos reflexos dos atos de domingo, a Anfavea assegura que a pauta setorial de 2023 segue em curso em Brasília, assim como as reuniões que estão marcadas para ocorrer esta semana.
Uma fonte ligada às montadoras informou que as atividades nas fabricantes iniciaram o dia em clima de apreensão, uma vez que há o temor dos atos anti-democráticos tomarem proporção e afetarem, como no ano passado, as principais rodovias do país.
“Ainda estamos analisando os possíveis reflexos, mas tudo vai depender do tempo de duração, se vai perdurar, se outros atos vão acontecer em outros lugares”, contou o interlocutor à reportagem.
No mercado financeiro, cujo humor também afeta a operação da cadeia automotiva brasileira, o ato terrorista em Brasília cria uma percepção de risco, que se eleva junto aos juros, como disse ao site Investnews o economista Andre Perfeito.
A B3, que é a Bolsa de Valores de São Paulo, iniciou o pregão em queda, mas, à tarde, encerrou o dia com leve alta em função do mercado externo. A cotação do dólar, por outro lado, sentiu os efeitos do domingo e ficou 0,7% mais caro, valendo R$ 5,25.
