
A Tesla enfrenta ao longo desta semana um novo julgamento no Tribunal Federal de São Francisco, Califórnia. O processo determinará quanto a montadora deverá pagar a um funcionário negro que denunciou ter sido vítima de injúria racial em 2017.
No ano passado, um juiz derrubou a decisão de que a Tesla teria que pagar US$ 137 milhões ao funcionário. Segundo a imprensa norte-americana, o valor seria uma das maiores indenizações de todos os tempos em um caso de discriminação racial no ambiente de trabalho.
O juiz distrital William Orrick concordou que a Tesla era responsável pelo crime de injúria racial, mas reduziu o valor da indenização para US$ 15 milhões. Os advogados da vítima recusaram o valor e optaram por um novo julgamento.
Orrick, que presidirá o julgamento desta semana, proibiu tanto a Tesla como o funcionário de apresentarem novas evidências ou testemunhas. Assim como no último julgamento, a vítima e outros funcionários da fábrica de Fremont, Califórnia, devem testemunhar.
Funcionários brancos da Tesla faziam caricaturas racistas e rabiscavam suásticas
Na abertura do processo em 2017, a vítima alegou que a Tesla não tomou nenhuma atitude diante das injúrias raciais feitas frequentemente por empregados brancos da fábrica.
Segundo o depoimento do então funcionário, os colaboradores faziam caricaturas racistas nas paredes e estações de trabalho. Além disso, rabiscavam suásticas.
O júri em 2021 concedeu à vítima quase US$ 7 milhões em danos compensatórios por sofrimento emocional e US$ 130 milhões em danos punitivos, destinados a punir condutas ilegais e impedi-las no futuro.
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No ano passado, o juiz William Orrick reduziu os danos compensatórios para US$ 1,5 milhão e os danos punitivos para US$ 13,5 milhões. A defesa do ex-funcionário espera que o novo julgamento termine com um veredito maior do que os US$ 15 milhões oferecidos antes.
“A Tesla está focada em tentar fazer esse número chegar a zero, mas é uma visão muito cínica ter um homem negro assediado racialmente e sugerir que isso não vale muito dinheiro”, afirmou o advogado Lawrence Organ.
Tesla é alvo de outros processos trabalhistas
A Tesla também enfrenta alegações por omissão em casos de racismo em sua fábrica de Fremont em uma ação coletiva de funcionários negros, que corre no Tribunal Estadual da Califórnia, e outra em um órgão de defesa dos direitos civis. Ambos processos ainda estão em fase inicial.
A montadora é alvo ainda de uma série de processos de assédio sexual, abertos por mulheres que trabalham na fábrica de Fremont e em outra linha de produção na região de Los Angeles.
Outras duas queixas apresentadas ao Departamento do Trabalho dos EUA em 2022 acusam a Tesla de roubo de salários e violações de segurança dos funcionários em sua fábrica de caminhões em Austin, Texas. Em outro caso, um ex-gerente de produção afirma ter sido demitido após demonstrar preocupações sobre questões de segurança na fábrica de Fremont e em uma unidade em Nevada.
Segundo a agência de notícias Reuters, o resultado do julgamento desta semana não deve afetar diretamente os outros processos. Mas pode encorajar os trabalhadores a abrir novas ações contra a Tesla, ao passo que a marca enfrenta crescentes desafios ao seu domínio do mercado de carros elétricos.
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Processo por injúria racial representa risco para Tesla?
Avaliada em mais de US$ 580 bilhões, a Tesla não deve ser impactada pela indenização estimada em dezenas de milhões de dólares. Porém, o caso pode levar investidores a examinar as práticas trabalhistas na empresa de Elon Musk e levantar os casos que correm na justiça.
No ano passado, um acionista do Texas processou a Tesla por “fracassar” em abordar uma “cultura tóxica no local de trabalho”, o que fez a empresa perder funcionários de alta qualidade, incorrendo em custos para defesa e pagamento de multas.