logo

Tesla enfrenta novo julgamento em processo de injúria racial

Montadora elétrica está na mira de uma das maiores indenizações por racismo no trabalho da história dos EUA
Author image

Redação AB

27 mar 2023

3 minutos de leitura

Imagem de Destaque

A Tesla enfrenta ao longo desta semana um novo julgamento no Tribunal Federal de São Francisco, Califórnia. O processo determinará quanto a montadora deverá pagar a um funcionário negro que denunciou ter sido vítima de injúria racial em 2017.

No ano passado, um juiz derrubou a decisão de que a Tesla teria que pagar US$ 137 milhões ao funcionário. Segundo a imprensa norte-americana, o valor seria uma das maiores indenizações de todos os tempos em um caso de discriminação racial no ambiente de trabalho.

O juiz distrital William Orrick concordou que a Tesla era responsável pelo crime de injúria racial, mas reduziu o valor da indenização para US$ 15 milhões. Os advogados da vítima recusaram o valor e optaram por um novo julgamento.

Orrick, que presidirá o julgamento desta semana, proibiu tanto a Tesla como o funcionário de apresentarem novas evidências ou testemunhas. Assim como no último julgamento, a vítima e outros funcionários da fábrica de Fremont, Califórnia, devem testemunhar.

Funcionários brancos da Tesla faziam caricaturas racistas e rabiscavam suásticas

Na abertura do processo em 2017, a vítima alegou que a Tesla não tomou nenhuma atitude diante das injúrias raciais feitas frequentemente por empregados brancos da fábrica.

Segundo o depoimento do então funcionário, os colaboradores faziam caricaturas racistas nas paredes e estações de trabalho. Além disso, rabiscavam suásticas.

O júri em 2021 concedeu à vítima quase US$ 7 milhões em danos compensatórios por sofrimento emocional e US$ 130 milhões em danos punitivos, destinados a punir condutas ilegais e impedi-las no futuro.


VEJA TAMBÉM:
Clientes acusam Tesla de monopólio em serviços de pós-venda
Agência reguladora dos EUA investiga Tesla após volantes se soltarem sozinhos


No ano passado, o juiz William Orrick reduziu os danos compensatórios para US$ 1,5 milhão e os danos punitivos para US$ 13,5 milhões. A defesa do ex-funcionário espera que o novo julgamento termine com um veredito maior do que os US$ 15 milhões oferecidos antes.

“A Tesla está focada em tentar fazer esse número chegar a zero, mas é uma visão muito cínica ter um homem negro assediado racialmente e sugerir que isso não vale muito dinheiro”, afirmou o advogado Lawrence Organ.

Tesla é alvo de outros processos trabalhistas

A Tesla também enfrenta alegações por omissão em casos de racismo em sua fábrica de Fremont em uma ação coletiva de funcionários negros, que corre no Tribunal Estadual da Califórnia, e outra em um órgão de defesa dos direitos civis. Ambos processos ainda estão em fase inicial.

A montadora é alvo ainda de uma série de processos de assédio sexual, abertos por mulheres que trabalham na fábrica de Fremont e em outra linha de produção na região de Los Angeles. 

Outras duas queixas apresentadas ao Departamento do Trabalho dos EUA em 2022 acusam a Tesla de roubo de salários e violações de segurança dos funcionários em sua fábrica de caminhões em Austin, Texas. Em outro caso, um ex-gerente de produção afirma ter sido demitido após demonstrar preocupações sobre questões de segurança na fábrica de Fremont e em uma unidade em Nevada.

Segundo a agência de notícias Reuters, o resultado do julgamento desta semana não deve afetar diretamente os outros processos. Mas pode encorajar os trabalhadores a abrir novas ações contra a Tesla, ao passo que a marca enfrenta crescentes desafios ao seu domínio do mercado de carros elétricos.


Faça a sua inscrição no #ABX23 – Automotive Business Experience


Processo por injúria racial representa risco para Tesla?

Avaliada em mais de US$ 580 bilhões, a Tesla não deve ser impactada pela indenização estimada em dezenas de milhões de dólares. Porém, o caso pode levar investidores a examinar as práticas trabalhistas na empresa de Elon Musk e levantar os casos que correm na justiça.

No ano passado, um acionista do Texas processou a Tesla por “fracassar” em abordar uma “cultura tóxica no local de trabalho”, o que fez a empresa perder funcionários de alta qualidade, incorrendo em custos para defesa e pagamento de multas.