
Em meio a preocupação de investidores com a desaceleração do mercado, a Tesla anunciou que fechou o terceiro trimestre de 2022 com recorde na produção de carros elétricos e nos resultados financeiros. No balanço divulgado esta semana, a empresa reportou lucro líquido de US$ 3,7 bilhões, com Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de US$ 4,9 bilhões.
De junho a setembro, a Tesla obteve lucro operacional, aquele gerado só pela atividade principal da companhia, recorde de US$ 3,7 bilhões, resultando em margem operacional de 17,2%.
Com US$ 2,2 bilhões a mais no trimestre, o caixa total subiu para US$ 21,1 bilhões. Nos últimos 12 meses, o fluxo de caixa livre ultrapassou os US$ 8,9 bilhões pela primeira vez.
Produção da Tesla cresceu, mas será sustentável?
Mais uma boa notícia é que, apesar da escassez de componentes, a produção da Tesla bateu recorde: 365 mil carros elétricos fabricados no mundo, 54% mais do que o terceiro trimestre do ano passado. Foram feitas 345 mil unidades do Model 3, enquanto a produção do Model S dobrou para 20 mil.
No entanto, a empresa entregou aos clientes um pouco menos do que isso: 343 mil carros – o que já bastou para levantar a dúvida entre os investidores em relação a demanda dos veículos. O CEO da Tesla, Elon Musk, afirmou que “não tem um problema de demanda” e os estoques são explicados por dificuldades no transporte dos carros.
“A capacidade de transporte de veículos durante os períodos de pico de entrega tornou-se cada vez mais desafiadora. Estamos gradualmente mudando para um mix regional mais uniforme de produção e entregas”, aponta o relatório.
A empresa planeja aumentar a capacidade de fabricação o mais rápido possível e, a longo prazo, espera alcançar um crescimento médio anual de 50% nas entregas de veículos.
Para os próximos meses, no entanto, os investidores começam a questionar se a Tesla conseguirá manter o ritmo diante da desaceleração econômica de uma série de países e aumentar o preço sem prejudicar suas vendas. Desde janeiro do ano passado, o preço médio do Model 3 ficou 24% mais alto nos EUA.
China pode puxar resultados para baixo
A maior preocupação é com o mercado chinês. Apesar da produção trimestral da Tesla em Xangai ter sido melhor que o último período, a montadora americana enfrenta forte concorrência com empresas domésticas como a BYD, em meio a uma economia que dá sinais de desaceleração e pode enfraquecer a venda de veículos nos próximos trimestres.
Segundo o relatório da China Merchants Bank International (CMBI), em setembro, a entrega de carros às concessionárias cresceu 33%, enquanto as vendas no varejo subiram apenas 9%. Os analistas indicam que o excesso de estoque pode pesar no mercado ano que vem.
Software de direção autônoma não terá aprovação em 2022
Outra notícia é que a promessa de carros totalmente autônomos da Tesla ainda não tem data para virar realidade. Em conferência com os investidores na quarta-feira, 19, Elon Musk disse que o software avançado de assistência ao motorista não terá aprovação regulatória em 2022.
Os comentários do CEO sugerem que a tecnologia da empresa ainda não é capaz de satisfazer as autoridades de que os carros podem ser pilotados sem alguém ao volante.
Atualmente, a empresa oferece a tecnologia de piloto automático, com a qual o carro pode acelerar ou frear sem a intervenção do motorista, e um complemento de software chamado “Full Self-Driving” (FSD)”, que permite que os veículos mudem de faixa e estacionem de forma autônoma. No entanto, ambas as tecnologias ainda necessitam de um condutor ao volante.
No começo de outubro, as ações da empresa caíram após o evento anual de tecnologia decepcionar parte dos investidores. A apresentação do robô humanoide não empolgou e o mercado se mostra insatisfeito com a falta de clareza da Tesla sobre o prazo para entregar os sistemas de direção totalmente autônomos.