
“Pelo fato de o carro ser montado no Uruguai, poderemos ajustar com rapidez a proporção de automáticos e manuais se a demanda crescer”, diz Buzetto. A nova caixa tem quatro marchas apenas, mas, quando a alavanca é posta na posição D e deslocada à direita, permite trocas manuais e sequenciais.
Com seu preço, o Tiggo automático se torna uma opção atrativa ao seu concorrente mais próximo, o Lifan X60, que tem transmissão manual, preço inicial de R$ 55.990 e seguro grátis até o fim de abril (veja aqui). Concorrentes nacionais como EcoSport e Duster têm opção automática, mas a preços bem mais altos quando equipados com esse item. O Ford parte de R$ 70.390 e o Renault, de R$ 66,9 mil.
O Tiggo utiliza motor 2.0 a gasolina de 138 cv de potência. Mede 4,39 metros, tem bom espaço para cinco pessoas, porta-malas de 435 litros, vários porta-objetos e lista generosa de itens de série, que inclui controlador automático de velocidade, vidros, travas e retrovisores com acionamento elétrico, ar-condicionado, toca-CDs com entrada USB e controles no volante. Este tem também ajuste de altura.
O retrovisor traz bússola e indicadores de pressão atmosférica e altitude, coisas que combinam com o espírito de um utilitário esportivo, mas a tração é dianteira apenas.
DESEMPENHO E CONSUMO
A opção automática é sempre bem-vinda num carro de mais de R$ 50 mil, mas roubou a agilidade do novo Tiggo. O carro tem acelerações e retomadas lentas, seja em uso urbano, seja em trechos de subida com curvas. Mesmo as trocas de marcha feitas em modo manual são um tanto demoradas.
Segundo o executivo da Chery, o desenvolvimento e homologação do carro automático para o Brasil incluiu a adequação dos componentes ao combustível vendido aqui e também ajuste na curva de torque do motor, mas as relações de marcha são as mesmas do carro para os chineses. Segundo a Chery, o Tiggo atinge 170 km, faz 8 km/l na cidade e 10,56 km/l na estrada. As suspensões são macias, mas não molengas como ocorre muitas vezes com modelos concebidos ou montados na China.

Tiggo tem ar-condicionado, trio elétrico e vários itens de série. Nova opção automática tem quatro marchas e permite trocas manuais pela alavanca. Espaço interno é bom também para ocupantes traseiros e porta-malas leva 435 litros (fotos: Mário Curcio e divulgação)
A CHERY E O MERCADO LOCAL
No ano passado, a Chery vendeu no Brasil 1.456 unidades do Tiggo e 8.067 carros ao todo. Há quase um ano a empresa lançou o modelo Celer nas versões hatch e sedã. Na época, acreditou que fecharia 2013 com 7 mil unidades do carrinho, somadas as versões hatch e sedã, mas não conseguiu emplacar nem a metade desse volume.
O modelo será o primeiro a sair da fábrica de Jacareí (SP), que está atrasada. A previsão de começar a montagem em abril já foi adiada para o “segundo semestre”, o que soa vago demais. A boa notícia, segundo Buzetto, é que é a Chery decidiu produzir no Brasil a geração atualizada, que passou por face-lift, e não mais aquela que é vendida no Brasil desde o ano passado.
A rede atual da Chery tem 70 concessionárias em plena operação. Em março do ano passado eram 68.