
A história beira o ridículo e desafia as tentativas de entender o mundo corporativo da Hyundai-Kia.
A Kia já respondeu uma vez à provocação e agora deve optar por uma representação junto ao Conar.
As duas empresas foram um único grupo na Coréia, mas por aqui a coisa é diferente. A Kia é representada pelo grupo Gandini; a Hyundai pelo grupo CAOA.
As duas marcas chegaram ao Brasil na esteira da abertura às importações, que teve a Lada como pioneira. Kia e Hyundai traziam, no início da década de noventa, carros medíocres até mesmo para os padrões das ‘carroças’ nacionais da época.
As duas marcas coreanas, em trajetória ascendente no mercado internacional, disputam vendas em território brasileiro. No ranking a vantagem é da Hyundai, que tem no Tucson e no Azera dois campeões de preferência. A marca despeja verbas de propaganda invejáveis em anúncios institucionais e no varejo.
A Kia, que acaba de lançar no país o Soul e o Cerato, reagiu a um desses anúncios. A Hyundai do Brasil aproveitou a subida no ranking global e a volta por cima da Ford para publicar que a corporação Hyundai assumiu o quarto lugar nas vendas internacionais, sem fazer qualquer menção à Kia.
O grupo Gandini afirmou no texto dos anúncios de 25 de agosto que a proeza cabe ao grupo Hyundai-Kia Motors. “Toda e qualquer propaganda mencionando a Hyundai Motors como a quarta montadora no ranking mundial é enganosa e tem como objetivo levar o público a erro”.
A tijolada não ficou sem resposta. A Hyundai voltou à carga, colocando-se em primeiro lugar no ranking de qualidade global, deixando à Kia uma modesta posição.
Conar
A disputa entre as coreanas vem de longe. No início do ano a Kia Motors do Brasil registrou queixa contra a adversária no Conar – Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária. Na ocasião o anúncio ‘Tucson Imbatível’, apresentava uma lista dos principais concorrentes e simplesmente deixava de mencionar o Sportage, da Kia, produzido sobre a mesma plataforma.
O grupo Gandini alegava que o texto induzia o leitor e o consumidor a equívocos mercadológicos.
Ranking
O motivo da discórdia atual entre Kia e Hyundai teve início no anúncio que a segunda publicou fazendo referência ao ranking das vendas mundiais no primeiro semestre do ano, publicado pela revista Carro:
Toyota, 3.564.105 veículos
GM, 3.552.722
Volkswagen, 3.100.300
Hyundai-Kia, 2.153.000
Ford, 2.145.000
PSA Peugeot Citroën, 1.586.900
Honda, 1.586.000
Nisan, 1.545.976
Suzuki, 1.152.000
Renault, 1.106.589