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Paulo Ricardo Braga, AB
Feres Macul Neto, presidente da TMD Friction do Brasil (foto), aposta no mercado de reposição para elevar o faturamento da empresa este ano, uma cifra mantida sob segredo tendo em vista a árdua disputa de mercado na região com as também multinacionais Fras-le, Federal Mogul e Honeywell. Enquanto o suprimento para as montadoras ficará próximo da estabilidade ano, o aftermarket possivelmente registrará avanço com o crescimento da frota circulante.
“Pesquisas indicam que a quilometragem média dos carros tem crescido, contribuindo para uma troca maior de pastilhas e lonas”, observa. As vendas seriam mais elevadas se não tivesse ocorrido ao mesmo tempo uma vigorosa evolução tecnológica dos produtos de atrito. “Os materiais duram pelo menos o dobro em relação ao início da década de 1990”, afirma.
Mas nem todos vendem qualidade nesse segmento, que tem inúmeros atores, nem sempre primando pela qualidade na reposição, onde as margens costumam ser bastante atrativas. Embora a certificação de materiais de fricção tenha sido preocupação dos principais fabricantes nos últimos anos, os trabalhos em conjunto com ABNT, Sindipeças e IQA ainda avançam de forma lenta, tendo em vista diferentes interesses e padrões envolvidos.
A aquisição da TMD Friction pela japonesa Nisshinbo, em nível global, não trouxe efeitos imediatos para a operação brasileira, mas em futuro próximo a sinergia entre as duas organizações, cujo faturamento passa a somar um bilhão de euros e 6 mil funcionários, pode trazer novidades. Os produtos são destinados ao setor automotivo (incluindo carros de competição), transporte rodoviário e aplicações industriais. Há também peças especiais destinadas a empresas como Dassault e Embraer, para uso nos sistemas de frenagem de aviões.
MERCADO
Macul Neto planeja dobrar, até meados de 2012, o volume de produção das novas linhas na fábrica em Indaiatuba, SP. Com os contratos de fornecimento para montadoras, o plano é chegar nessas instalações a 10 milhões de pastilhas de freio. Consideradas as outras linhas, o volume evolui para 25 milhões no segmento automotivo. E a 40 milhões de peças se foram incluídas lonas de automóveis, caminhões e ônibus e pastilhas para caminhões.
Fornecedora da maioria das marcas já presentes no País, a TMD está de olho também na chegada de novos fabricantes e plataformas de veículos. “Acompanhamos a movimentação das newcomers, especialmente asiáticas. Temos parceria com a Hyundai na Coréia que produz, sob nossa licença, peças dos veículos da marca comercializados na Europa” – diz Macul Neto, apostando na Nisshimbo para uma maior abertura junto à Honda e Toyota, clientes da TMD na Europa e Japão. As chinesas estão também no alvo. TMD e Nisshimbo têm, cada uma, duas plantas na China e relações comerciais com as marcas locais, facilitando a prospecção no Brasil.
Importar componentes da Ásia para comercialização no Mercosul está fora dos planos de Feres. “Não é viável trazer pastilhas e lonas para competir aqui, já que o mercado é muito disputado. Há imposto de importação de 18% e custos logísticos significativos”. Ele não fala com muito entusiasmo das exportações, que já representaram mais de 40% da produção e hoje somam 15% a 20%, com tendência de queda. Inglaterra e Alemanha ainda são redutos importantes de compradores do produto brasileiro da TMD.
MÉXICO E ARGENTINA
Como outras empresas de autopeças, a TMD também investiu em instalações no México para ter maior acesso ao mercado internacional e levar vantagem com os menores custos de produção. Enquanto um trabalhador recebe em média R$ 4.200 reais na região de Indaiatuba, onde está a nova fábrica da empresa, um profissional de Querétaro, no México tem remuneração de US$ 800, incluídos os encargos. A energia elétrica aqui é 40% mais cara que no país asteca.
Em relação à Argentina há outras dificuldades a superar. Como o país vizinho pretende incentivar a produção local e equilibrar a balança comercial de autopeças, tem criado toda sorte de dificuldade para aprovar as licenças de importação de produtos brasileiros. “Pequenas falhas na documentação levam a cancelamento. E quando temos aprovação, há pouco tempo para fabricar a encomenda”, explica Macul Neto.
O executivo começou a trabalhar na TMD em 2001, ano em que a empresa adquiriu a brasileira Cobreq, que ainda dá o nome aos produtos comercializados. O grupo possui fábricas em onze países, entre os quais Alemanha.