
“Vemos uma expansão global do negócio e isso deve acontecer também no Brasil nos próximos anos, com carros cada vez mais conectados e oferta maior de sistemas de navegação com atualizações on-line”, diz Saucier. Segundo ele, existem conversas e negociações avançadas em todo o mundo tanto com os fabricantes de veículos como também com alguns dos maiores fornecedores, como a Bosch, com a qual a TomTom já tem parceria de desenvolvimento de sistemas avançados de navegação para a Volkswagen/Audi.
Para o futuro próximo, o foco está em desenvolver navegação que opera em conjunto com sistemas avançados de assistência ao motorista, como o controle de cruzeiro adaptativo (ACC, na sigla em inglês) que pode reduzir a velocidade do veículo quando recebe informações que existe um bloqueio de trânsito adiante, por exemplo. Um pouco mais para frente, os sistemas de direção autônoma vão requerer mapas ainda mais precisos e atualizados, com milhões de atualizações por minuto. “Nós já estamos prontos para isso, é o futuro. Mas ainda há dúvidas sobre quando exatamente os fabricantes de veículos poderão adotar comercialmente todas essas facilidades”, avalia Saucier.
FOCO EM NAVEGAÇÃO
Fundada na Holanda em 1991 como uma desenvolvedora de programas para dispositivos móveis, incluindo leitores de código de barras, a TomTom começou a focar suas atividades em softwares de navegação a partir de 1996 e, em 2001, direcionou os negócios para oferecer produtos exclusivos para automóveis. O primeiro dispositivo portátil de navegação (PND, na sigla em inglês) foi lançado em 2004 e hoje a TomTom estima que existam 80 milhões deles em operação no mundo todo.
O fornecimento de programas embarcados para veículos diretamente às montadoras começou em 2007. Atualmente, boa parte dos fabricantes são clientes, como Ford, FCA, Daimler, Renault, Nissan, PSA Peugeot Citroën, Volkswagen, Audi, GM, Toyota e BMW, entre outros, além de sistemistas como Bosch, Denso, Delphi, Continental e Magneti Marelli. A TomTom já forneceu para eles algo como 20 milhões de mapas digitais, 5 milhões de programas de navegação e 9 milhões de serviços de conexão com monitoramento de trânsito em tempo real.
“Ganhamos uma reputação fantástica ao longo dos últimos anos com nossos navegadores portáteis. Revolucionamos o mercado ao oferecer quatro atualizações do sistema por ano de forma simples e barata. Mudamos o foco de oferecer mapas como produto para oferecer mapas como serviço”, diz Saucier. Com essa evolução qualitativa, alguns fabricantes, ao lançar novos carros ou versões, divulgam que têm a navegação TomTom a bordo como um diferencial de qualidade do sistema. Além de faturar com o fornecimento do programa em si, a empresa continua a vender atualizações via internet, que em alguns casos são oferecidas por até um ano sem custo pelas montadoras. Segundo Saucier, os ganhos com as atualizações não reduzem de forma significativa o custo do produto para as fábricas de veículos: “Não é uma questão de custo, mas de agregar valor”, afirma.
Saucier avalia que a concorrência com os smartphones, que oferecem sistemas de navegação sem custos, não é preocupante. “Fornecemos mapas para os fabricantes de smarthphones, também ganhamos com eles. Mas os sistemas embarcados são mais confiáveis, seguros para quem dirige e precisos, não dependem da conexão para funcionar”, pondera.
Em 2007, quando começou a fornecer o sistema embarcado de navegação para a Renault, a TomTom oferecia o pacote completo, incluindo o aparelho e programas. No entanto, de alguns anos para cá Saucier explica que esse mercado mudou, especialmente com a maior complexidade da arquitetura eletroeletrônica dos carros, e com isso a empresa passou a focar sua atuação somente em software, com oferta modular dos mapas digitais, o programa de navegação e serviços de conexão com informações de trânsito em tempo real. “Dessa forma cada fabricante projeta o sistema conforme sua conveniência. Nosso programa pode rodar com Windows, Android, Linux e outras plataformas”, explica o executivo.
A operação da TomTom no Brasil começou em 2008 e hoje a empresa conta com 35 pessoas para venda dos sistemas de navegação, validações para o mercado local quando necessário e alimentação das informações de trânsito. Para isso a TomTom usa em todo o mundo fontes como a comunicação com seus próprios sistemas de navegação instalados em carros em circulação, frotas de veículos de empresas parceiras e veículos próprios que circulam fazendo o mapeamento e monitoramento de vias – existem três deles em operação no Brasil e mais de 100 no mundo. As informações recebidas são checadas e fundidas por um potente sistema de informática, que as repassa para automóveis já conectados ou smartphones dos clientes.