
A Toyota pretende concentrar a venda de caminhões e automóveis movidos a hidrogênio na China e também na Europa, como parte de um esforço para vender 200 mil desses veículos até 2030. A decisão marca uma mudança de foco da companhia japonesa, uma das principais apoiadoras de veículos com célula de combustível a hidrogênio como alternativa aos veículos elétricos.
Até o momento, a Toyota concentrava seus esforços no mercado norte-americano, em que a procura estagnou. A mudança de foco é a primeira desde que a fabricante montou uma unidade dedicada a hidrogênio, como forma de expandir o uso das células de combustível em aplicações mais amplas, incluindo geração de energia industrial e caminhões comerciais.
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Em todo o ano de 2022 a Toyota vendeu pouco mais de 3,9 mil veículos com célula de combustível, ou seja, menos de 0,5% de suas vendas globais (cerca de 9,5 milhões de veículos). “Embora possa soar estranho, duzentos mil não é um número grande”, afirmou à imprensa o diretor de tecnologia da Toyota, Hiroki Nakajima. “Acreditamos que esse número pode ser até superado.”
Segundo Nakajima, ao se concentrar na China e Europa, onde a produção e demanda por hidrogênio são maiores, a Toyota pretende reduzir os custos. A montadora também diz que quer “fortalecer laços com outras empresas”.
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Vale dizer que Toyota e Daimler Truck já trabalham juntas na tecnologia de hidrogênio e chegaram a um acordo preliminar para combinar seus negócios de caminhões no Japão. A Toyota criou uma planta dedicada à produção de células de combustível, onde emprega 1.350 funcionários.
Veículos desse tipo utilizam motores elétricos como outros carros movidos a eletricidade, mas a energia que os alimentam provém de uma pilha carregada com eletricidade a partir da utilização do hidrogênio. A adoção de células de combustível tem sido limitada pelos altos custos e por uma rede ainda pequena de postos de abastecimento.
No entanto, ao contrário dos carros elétricos a bateria, os veículos movidos a hidrogênio podem ser reabastecidos rapidamente e têm maior autonomia.
Há quase uma década a Toyota lançou o Mirai, primeiro veículo com célula de combustível. No Japão, onde o governo apoiou o hidrogênio como fonte alternativa de energia, a Toyota pode trabalhar com instituições locais para fazer a transição de frotas a diesel, como ambulâncias e caminhões de lixo. A montadora espera ainda que o mercado global para modelos desse tipo gere cerca de US$ 35 bilhões até 2030.
Em janeiro, outra fabricante japonesa, a Honda, revelou que pretende alcançar vendas anuais na casa de 60 mil unidades até 2030 com modelos a hidrogênio desenvolvidos em conjunto com a General Motors.