A proposta apresentada na reunião do último sábado, 4, entre a direção da GM e Sindicato dos Metalúrgicos, sob supervisão dos governos municipal, estadual e federal, foi aprovada na manhã da terça por quase todos os 3,5 mil trabalhadores presentes na assembleia. Pelo acordo a GM manterá 900 empregados trabalhando em apenas um turno no setor MVA para montar o Classic, mas só até 30 de novembro. O modelo também é feito hoje em São Caetano do Sul (SP) e Rosário, na Argentina.
Apesar da aprovação do acordo e a suspensão do plano da empresa para uma demissão em massa de quase 2 mil empregados, em comunicado o sindicato informou que não era o acordo que queria, mas foi a melhor solução encontrada até o momento. A entidade diz esperar reverter a possível demissão dos 940 funcionários que ficarão em licença remunerada até 30 de novembro, período em que a GM oferecerá cursos de requalificação profissional.
Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, o medo das demissões permanece entre os trabalhadores. “Só mudou a forma da saída, não vão reverter essas demissões”, criticou o montador Agnaldo José de Paula. Em sua opinião, a pressão deve aumentar ainda mais. “Agora vem a chefia pressionar mais.”
NOVA DISCUSSÃO EM 60 DIAS
Em 60 dias, GM e sindicato discutirão estratégias para a redução de salários, banco de horas e jornadas flexíveis. Havendo o acordo, a direção da montadora se compromete a discutir investimentos futuros para a unidade, que será tratada como prioritária para novos projetos. A GM alega que, por falta de acordo com o sindicato local, a planta de São José é considerada hoje a de maior custo entre as três unidades de produção de veículos da montadora no País, por isso não foi contemplada com os maiores aportes do atual ciclo de investimento, que termina este ano.
O complexo industrial de São José dos Campos abriga oito fábricas e é o maior da GM no Brasil. Além da unidade de veículos leves, a planta também produz motores, transmissões, partes estampadas e comerciais leves, como a nova picape média S10 e, em breve, a nova Blazer.
No último PDV na unidade, entre junho e julho, 356 trabalhadores deixaram a empresa. Somadas as últimas demissões com a projeção dos excedentes, somente no segundo semestre a GM poderá dispensar aproximadamente 30% do seu pessoal no Vale do Paraíba, fechando 2012 com pouco mais de 5 mil funcionários, ante ao efetivo inicial de 7,8 mil trabalhadores.