
Hoje, rodam pela capital paulista somente 181 ônibus com emissão zero. A meta de renovar em 20% a frota até o fim de 2024 parece ser inalcançável. E o que trava esse processo?
Para o presidente da Enel X, Francisco Scroffa, a falta de financiamento para a compra dos veículos pode ser uma das razões do atraso da renovação da frota de ônibus. A empresa é a divisão de mobilidade da concessionária de energia que opera em São Paulo, a Enel.
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“Falta financiamento para o projeto. Quanto à infraestrutura de carga para o carregamento dos veículos, a Enel, em conjunto com as empresas, fazem o projeto para adequação da carga”, disse Scroffa à Automotive Business.
“Há garagens em que há essa necessidade de habilitar nova carga. Com isso, o custo dobra de valor. Quando o projeto decolar estaremos preparados para adequar a infraestrutura”, garantiu o executivo.
No ano passado, o município de São Paulo assinou um contrato de financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) no valor de R$ 2,5 bilhões para a aquisição de aproximadamente 1,3 mil ônibus movidos exclusivamente a bateria.
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A modalidade de financiamento, segundo a instituição de fomento, foi por meio do BNDES Finame Direto, tradicional produto do banco que financia a aquisição e a comercialização de máquinas e equipamentos de fabricação nacional.
A capital paulista foi o primeiro cliente do setor público a receber crédito por meio do BNDES Finame Direto. Os recursos serão liberados na modalidade baixo carbono, que passou a admitir financiamento para compra de ônibus elétricos por municípios.
O investimento na aquisição dos ônibus elétricos é aproximadamente 3,5 vezes maior ao equivalente na compra de veículos com motores diesel. Por isso, o município buscou incentivar a introdução dos veículos eletrificados na frota cobrindo parte desse investimento, por meio de reequilíbrios econômico-financeiros dos contratos de concessão.
Renovação da frota de ônibus em São Paulo: Recursos ainda não foram contratados
Na época, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, disse que o projeto previa que “a cada um real que usaremos para trocar o diesel pelo elétrico, ganharemos dois [reais] nos próximos 15 anos.”
A previsão é de que o município invista um total de R$ 8 bilhões, com aquisição de um total de até 2,6 mil veículos e de substituição de cerca de 20% da frota de ônibus da capital. Desse valor, R$ 6 bilhões serão recursos da prefeitura e R$ 2 bilhões das concessionárias que operam o transporte público por ônibus na cidade.
O montante a cargo da administração municipal será financiado por outras instituições financeiras: Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Banco Mundial, Banco do Brasil, Caixa, além do BNDES.
Os recursos do Finame, no entanto, ainda não estão liberados. Segundo o BNDES, os R$ 2,5 bilhões foram aprovados e estão à espera da contratação. Quem deveria fazer isso? A Prefeitura de São Paulo. Procurada, o executivo municipal não se manifestou até a publicação desta reportagem.
Falta de gestão atrasa programa
“A indústria automotiva de maneira geral está pronta, a Enel esta capacitada para fazer o reforço da infraestrutura de rede para quaisquer pronto de recarga, o que precisa é fazer essa adequação do cronograma feito pela Prefeitura”, disse o diretor de mobilidade da Associação Brasileira de Veículo Elétrico (ABVE), Flaminio Fichmann.
Para ele, o atraso no programa é justamente falta de gestão.
“Não é falta de recurso, é falta gestão, 2,6 mil ônibus neste prazo curto? Foi uma meta da própria prefeitura”, disse Fichmann. “Esse é um programa que não tende a morrer, existe uma série de vantagens na descarbonização da frota, mas o elétrico não precisa ser a única tecnologia, podemos conviver com outras. A tecnologia está para servir a humanidade e temos que buscá-la.”
A Secretaria de Transporte do município de São Paulo foi procurada, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno.
