
Quando anunciou a compra, em novembro do ano passado, a Tupy informou que o objetivo era internacionalizar a atuação e tornar-se a maior fabricante de blocos e cabeçotes de ferro fundido do mundo, além de aproximar-se dos clientes do setor automotivo baseados na América do Norte. Mais tarde, em junho, foi inaugurada, no complexo de Joinville, a fundição C (70 mil t/ano), que recebeu parte de um investimento de R$ 157 milhões, abrindo 600 postos de trabalho, que se somaram a outros 9 mil da empresa. A unidade de Mauá (SP) recebeu R$ 19 milhões para expansão.
VANGUARDA
As iniciativas recentes colocaram a Tupy na primeira posição entre as empresas que fornecem blocos e cabeçotes para motor, com capacidade para fundir 635 mil t/ano de ferro cinzento, cinzento ligado e vermicular, destinados à Caterpillar, John Deere, Cummins e Chrysler Europa, Ford, presentes no primeiro time de clientes. Das 540 mil t/ano processadas pela empresa no País, 480 mil t são destinadas à área automotiva e nada menos de 70% têm como endereço as exportações. Há casos curiosos, como os blocos e cabeçotes de ferro vermicular entregues à DAF, na Holanda, que serão utilizados nos motores brasileiros dos caminhões da marca. A MAN utiliza blocos similares na Europa, que serão empregados na montagem dos caminhões TGX no Brasil.
Fernando Cestari de Rizzo, vice-presidente, revela ponderado otimismo sobre a evolução do mercado, lembrando que houve muitos negócios de caminhões Euro 3 no final do ano passado, inibindo o deslanche do Euro 5. O segmento é vital para os bons resultados da Tupy, que contabiliza 70% da receita automotiva com blocos e cabeçotes para motores do ciclo Diesel.
“Dependemos do comportamento da economia e da oferta de frete. Houve alguns momentos bons, porém outubro sinalizou baixa no transporte de cargas. Mas estamos otimistas com a recuperação do segmento de caminhões, com o incentivo do Finame”, disse, observando que a compra do caminhão, assim como as de máquinas agrícolas e de construção, obedecem conceitos racionais.
TECNOLOGIAS
Rizzo comemora o fato de a Tupy estar pronta para utilizar ferro vermicular também em blocos e cabeçotes de motores do ciclo Otto. Até agora o material era aqui uma exclusividade de propulsores Diesel. “Trata-se de uma boa conquista no campo tecnológico, já que o ferro vermicular oferece boas propriedades mecânicas para projetos nessa área”, explica Rizzo.
Sobre as disputas entre alumínio e ferro em powertrains automotivos, ele reconhece que o primeiro metal conquistará novas aplicações veiculares, mas não é certo dizer que se trata da receita ideal para motores. Quando as potências e torques envolvidos são elevados, o ferro vermicular pode ser a melhor solução, garantido um dimensionamento adequado das paredes dos blocos.
“Para cada aplicação deve ser feito um exame meticuloso do projeto como um todo, da geometria envolvida e dos materiais à disposição”, explica o executivo. Embora a Volkswagen utilize alumínio nos blocos da família EA 2011, para as capacidades de 1.0, 1.4 e 1.6 litro, os propulsores 1.8 e 2.0 empregam ferro vermicular da Tupy.
Rizzo admite que os projetos locais de motores serão alinhados aos existentes em outras partes do mundo. Em função disso, não há programas criados e desenvolvidos exclusivamente no País, embora a engenharia local esteja pronta para fazer adequações. “Há um importante esforço de desenvolvimento da tecnologia automotiva no País”, garante, referindo-se à colaboração com universidades e institutos de pesquisa.
Na área de produtos da tecnologia Otto a Tupy está focada em motores para veículos premium, como Audi, Porsche, Volkswagen, Jaguar, Land Rover e Chrysler Europa. “São componentes que trazem complexidade no projeto geométrico e requisitos metalúrgicos elevados”, afirma. Um de seus clientes no Brasil será a Ford, que desenvolve o motor Fox, com bloco de ferro.
“A evolução do Inovar-Auto traz boas perspectivas para o setor de autopeças. E estamos incluídos aí”, diz Rizzo, lembrando que a Tupy também produz componentes para suspensões, freios, direções, eixos e transmissões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, além de tratores e máquinas agrícolas. Para ele, 2013 será um ano de recuperação, mas ainda há dúvida se voltaremos aos volumes e receitas registrados em 2011, um ano de recordes para a indústria automobilística. No que diz respeito a caminhões, ônibus e motores Otto os resultados no ano passado foram notáveis, com a produção de 263,8 mil veículos comerciais.