O UAW, sindicato dos trabalhadores na indústria automobilística nos Estados Unidos, sinaliza a disposição de negociar maior participação nos lucros das empresas em lugar de reajustes fixos nos salários. O presidente da entidade, Bob King, disse ao The Wall Street Journal que o tema estará em debate nas negociações com a GM, Ford e Chrysler que terão início no final de julho.
Os acordos trabalhistas do UAW com os fabricantes de Detroit terminam em 14 de setembro. King deseja que os trabalhadores sejam compensados pelas concessões de US$ 7 mil a US$ 30 mil, desde 2005, para ajudar as empresas a sobreviver. Ele disse que nesse período o sindicato abriu mão de aumentos e bônus e permitiu dois sistemas de remuneração, com novos funcionários recebendo US$ 14 por hora, metade do valor pago aos contratados de longo prazo.
Como parte da reorganização da GM e Chrysler, o UAW concordou em não fazer greves até 2015.
O UAW está de olho nos bons resultados das três montadoras, que tiveram resultados positivos no primeiro trimestre do ano. Em 2010 a GM registrou lucro de US$ 6,17 bilhões e a Ford de US$ 6,56 bilhões. A Chrysler teve perda de US$ 652 milhões no ano passado, mas projeta ganho de até US$ 500 milhões para 2011.
No Brasil os sindicatos também buscam elevar a participação dos trabalhadores nos lucros das montadoras. Houve movimentos nesse sentido, com greves, no estado de São Paulo e no Paraná, onde as negociações com a Volkswagen se estendem por longo período.