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500

Um passeio de Fiat 500 em Miami

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pedro

24 ago 2011

4 minutos de leitura

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Pedro Kutney, AB
De Miami, Estados Unidos

Um rápido roteiro de 30 km pelas ruas e largas avenidas do Norte de Miami, na ensolarada e abafada Flórida, comprova que o Fiat 500 preparado para ser vendido nos Estados Unidos ainda precisa ser melhor entendido pelos americanos. A sensação de quem dirige é de ser uma espécie de extraterrestre na terra dos carrões. O pequenino Cinquecento quase que passa despercebido em meio à arrogância automotiva do país. Os poucos olhares que o carrinho atrai parecem representar mais estranheza do que admiração.

Desde junho, quando foi introduzido no mercado norte-americano (Estados Unidos e Canadá), o 500 feito em fábrica da Chrysler de Toluca, no México, conquistou pouco mais de 12 mil clientes. “Mas a campanha publicitária começou só este mês e já vendemos 4 mil nesse período”, informa Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat, apostando no crescimento dos volumes do carrinho no país dos excessos, que vê com pouca ou nenhuma simpatia automóveis menores que 4,5 metros de comprimento – com exceção dos superesportivos de alta gama como Ferrari e Maserati.

O 500 é o primeiro Fiat produzido na Chrysler, que em junho passado passou a ser oficialmente controlada pela empresa italiana, em uma parceria de negócios na qual poucos ousam apostar além do CEO Sergio Marchionne, tratado pela mídia norte-americana como um executivo um tanto quanto excêntrico, avesso a gravatas e salamaleques do mundo corporativo, que comanda pessoalmente mais uma das muitas tentativas de recuperar a Chrysler, uma corporação que sempre parece estar à beira do precipício.

O 500 também representa o símbolo de um domínio estrangeiro estranho aos americanos, sempre acostumados a liderar e nunca a serem liderados. O carro marca a volta da Fiat ao mercado americano ao mesmo tempo em que avisa a todos: os tempos mudaram, é preciso consumir menos combustível, poluir menos, reduzir o efeito estufa. Os americanos (como eles gostam de se autointitular), ou os estadunidenses (como preferem os americanos habitantes do resto da América), a julgar como olham para o pequenino 500, parecem não ter entendido isso muito bem ainda. O Cinquecento e os Estados Unidos da América ainda têm muito a aprender um com o outro.

Americanização radical

Se os americanos ainda vão demorar para se adaptar ao 500, o fato é que o carro mexicano foi totalmente americanizado. A Fiat “pagou” todos os pedágios necessários para entrar nesse mercado com seu pequeno carro. Por fora, as diferenças em relação ao modelo europeu são mínimas, mas estruturalmente o 500 feito no México precisou receber uma série de reforços para passar pelas normas de segurança dos Estados Unidos. Por isso ficou cerca de 45 kg mais pesado.

O carro ganhou airbags maiores (até sete podem ser instalados), o que obrigou a Fiat a redesenhar o painel, e sua traseira teve de passar em testes para suportar colisões de até 80 km/h. Algo particularmente difícil de se fazer em um carro com comprimento tão reduzido (3,5 m), sem muita massa para absorver impactos. Portas e teto também receberam reforços estruturais para o caso de colisões laterais e capotamentos. Sistemas de segurança ativa também não faltam: o carro vem equipado desde sua versão mais básica com ABS, EBD (distribuição eletrônica de frenagem) e ESP (programa eletrônico de estabilidade). O comforto acústico melhorou e o sistema de ar condicionado esfria o interior bem mais rápido, ao gosto dos americanos.

Com isso, a Fiat acabou acertando melhor o 500. O carro ficou justo, estável, ágil e agradável de dirigir – para sorte dos brasileiros, que por tabela vão poder comprar o mesmo modelo a partir de outubro por preços que começam em R$ 39.990. Mas o Cinquecento que vai para o Brasil também precisou receber modificações, principalmente na suspensão, que ganhou reforços e ficou 10 mm mais alta para suportar as esburacadas ruas do País.