Nesse rascunho de futuro, figura a dobradinha Tecnologia da Informação (TI) e indústria automotiva. Esta que tem intensificado o investimento em telemática, que combina tecnologias associadas a eletrônica, informática e telecomunicação, aplicadas a sistemas de comunicação e embarcados. Caminha para oferecer integração com dispositivos móveis, despejando neles dados sobre desempenho dos veículos, gerenciamento, acesso a redes sociais, rastreamento…
“Mobilidade, conectividade e interatividade são movimentações fundamentais, inseridas no conceito car-connected”, diz Camilo Rubim, vice-presidente da área de vendas para a divisão automotiva da T-Systems do Brasil e América Latina e também membro do management board no Brasil. “E a T-Systems está alinhada a tudo isso”, afirma.
A importância do setor é tão significativa que a fornecedora de serviços e soluções de TI criou recentemente a divisão automotiva, comandada por Rubim. Ele assumiu o compromisso de dar suporte diferenciado às contas globais como Daimler, Volkswagen, Mercedes-Benz, Bosch, Continental e ainda desenvolver novos negócios nos setores automotivo e de manufatura dos mercados brasileiro e latino-americano.
“Nosso grande diferencial é termos o DNA na indústria automotiva. A T-Systems nasceu da Mercedes-Benz e, mais tarde, fortaleceu o laço com a compra da Gedas, braço de TI do grupo Volkswagen.”
Somente para o atendimento à conta da Mercedes, Rubim diz ter mais de 200 profissionais e para a Volkswagen cerca de 200. “Entre outros objetivos, queremos mostrar com a nova divisão que estamos investindo no setor automobilístico e empenhados no desenvolvimento de soluções inovadoras”, diz o executivo, responsável por uma carteira de clientes que abriga cerca de 800 nomes entre concessionárias e autopeças.
“Temos larga experiência e sólido portfólio, estou convicto de que estamos preparados para atender às demandas do setor automotivo, que tende a crescer e possui orçamento total de TI da ordem de R$ 2,8 bilhões, do qual temos um share atual de 10%”, afirma.
Para Rubim, o crescimento do setor no País, em especial impulsionado pela redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), exigiu participação maior da TI, com soluções que tornem mais fácil a gestão do negócio. A tarefa crítica de interação entre montadoras, concessionárias e fornecedores pode ser simplificada, segundo Rubim, por meio da solução de colaboração da empresa. “Trata-se de um portal, em que todos podem ter visibilidade e gerir toda a cadeia.”
Sobre 2013, o executivo diz que cloud computing (computação em nuvem) continua sendo uma forte tendência, sobretudo para organizações globais como são as principais montadoras. “Estaremos alinhados ao conceito Connected-Car”, diz Rubim, que foi o principal responsável pela gestão da conta da Daimler na região da América Latina.
DESENVOLVIMENTO
Na EngBras, empresa genuinamente nacional, a nuvem também ganha as fichas no modelo de vendas da sua mais nova arma para atrair o setor automotivo. É a Fea For Designers (FFD), solução pronta para entrar em cena a partir de novembro deste ano. A proposta é acelerar o desenvolvimento de produtos.
A comercialização será realizada de duas formas. A convencional, com instalação local, e também em cloud computing, na modalidade de software como serviço (SaaS), em que o produto é adquirido sob demanda, portanto mais flexível, escalável e com custo atraente.
Rodrigo Mosmann, diretor da empresa, anima-se com o diferencial da ferramenta para análise de elementos finitos. Ela reúne duas grandes vantagens: interface gráfica, com capacidade de trabalhar dentro de qualquer CAD, e ainda recurso para a criação de scripts de análise.
“Isso agiliza muito o desenvolvimento, o que é significativo para uma indústria de concorrência acirrada que precisa colocar o produto no mercado o mais rapidamente possível”, destaca.
Em um teste realizado com um projeto de nível médio de complexidade, segundo Mosmann, no modelo tradicional o desenvolvimento consumiu dois meses. Com o FFD, esse tempo caiu para menos de uma semana. “É o nosso atrativo para 2013.”
CONSUMIDOR
Para o próximo ano, a Oracle acena com o conceito Customer Experience. De acordo com André Papaleo, vice-presidente da Unidade de Indústria da Oracle para a América Latina da fornecedora de TI, é uma tendência que já está presente no mercado e promete saltos em 2013. “Importante para qualquer setor, cai como uma luva para o atual momento aquecido da área automotiva.”
Papaleo destaca a vantagem da integração da empresa com o processo de desenvolvimento de produtos, posicionamento de marcas e definição de estratégias de negócio. “E tudo isso, por meio de variados canais, principalmente redes sociais. Hoje, o diferencial é ter uma visão de 360 graus e presença integrada com a montadora, seja no Facebook, Twitter etc.”, diz.
Na avaliação de Papaleo, as montadoras e os concessionários precisam estar atentos ao que acontece com suas marcas, visto que o consumidor tem nas mãos dispositivos para comunicação instantânea em redes gigantescas. “Eles podem enaltecer, mas também destruir a imagem de uma empresa. Pesquisas do Banco Mundial apontam que a cada segundo são vendidos 40 aparelhos celulares no mundo dos 60 bilhões de SMS trocados no globo anualmente, 40% são de negócios; e o Brasil é o terceiro maior usuário mundial de Facebook”, argumenta e avisa: “É crítico, mas temos ferramentas para integrar e gerenciar tudo isso. A TI está mesmo em linha com o setor.”