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Uma volta pela Serra Gaúcha com o Up!

O sobe-e-desce cheio de curvas sinuosas das estradinhas que cortam a Serra Gaúcha foi o roteiro escolhido pela Volkswagen para dar à imprensa as primeiras impressões de dirigir o Up! brasileiro, lançado semana passada nas concessionárias da marca em todo o País (leia aqui). Nesse passeio serrano – rodando só com veículos cuidadosamente preparados pela engenharia da montadora –, pode-se dizer que trata-se de um pequeno grande carro.
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pedro

10 fev 2014

7 minutos de leitura

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Reduzido em tamanho, o Up! mostra qualidades de “gente grande”: motor esperto e muito econômico, com acelerações surpreendentes para o que normalmente se espera de qualquer 1.0; suspensão bem ajustada, nem dura nem mole, estável, que cola o carro ao chão; direção eletromecânica (opcional por R$ 1.240 nas duas primeiras das quatro versões do carro) muito suave e segura; câmbio manual justo, com encaixes curtos e precisos; e conforto na medida certa para dois ocupantes – sim, a Volkswagen diz que ele tem capacidade para cinco, mas nem três anões ficariam confortáveis no banco traseiro.

Quatro pessoas o Up! leva, mas em percursos mais curtos; viagens mais longas ficariam desconfortáveis para dois adultos atrás, até porque o porta-malas de 285 litros, mesmo tendo sido aumentado em 64 litros no Brasil, só dá para duas malas médias e uma pequena, no máximo, com alguma engenharia envolvida nisso. Motorista e passageiro ficam bem melhor acomodados, com boa ajuda dos confortáveis bancos inteiriços (sem divisão entre encosto das costas e da cabeça) e com regulagem milimétrica de distância e altura (sem aqueles intervalos fixos que nem sempre combinam com o tamanho de todo mundo).

Up!
Embora o porta-malas do Up! brasileiro tenha sido aumentado em 65 litros em relação ao carro europeu, os 285 litros acomodam, no máximo, duas malas médias e uma pequena. O modelo é vendido para levar até cinco pessoas, mas só duas vão bem.

O Up! é o que pode ser chamado de “carrinho divertido” de se guiar. Suas dimensões reduzidas o tornam fácil de domar em qualquer velocidade. Ao mesmo tempo, o motorzinho é valente e eficiente – neste caso o diminutivo é só para adjetivar o pequeno tamanho deste três-cilindros com bloco e cabeçote de alumínio, 23 quilos mais leve do seria se fosse de ferro, 10% menor na largura e 30% no comprimento em comparação com o quatro-cilindros da própria Volkswagen.

Nas estradas com pista vai-e-vem, foi fácil ultrapassar os caminhões e veículos mais lentos, sem os sustos que alguns 1.0 costumam pregar. Ao pisar fundo no acelerador, o giro sobe rápido e o torque máximo em torno de 10 kgfm fica logo disponível a partir de 3 mil rpm, levando o Up! facilmente acima dos 120 km/h, sem sensação de grande esforço, sem esgoelar. Ajuda bastante nesse desempenho o peso reduzido da carroceria (910 a 958 kg), obtido com a combinação de cinco tipos diferentes de aços.

EFICIÊNCIA

O motor EA 211 do Up!, já lançado no ano passado pela Volkswagen no Fox Bluemotion, é talvez a principal atração do novo carro. Faz parte de uma nova geração de propulsores que prioriza a eficiência – e que nós brasileiros ainda não estamos acostumados a ver em veículos nacionais.

Tudo no motor foi pensado para reduzir o consumo de combustível, a começar pela leveza do alumínio e dos três cilindros (em vez dos tradicionais quatro), solução que por si só reduz tamanho, peso e atrito, pois tem menos partes móveis. O diâmetro maior de cada cilindro traz ganho térmico, com queima mais eficiente. As polias triovais funcionam como pêndulos que aproveitam a energia cinética, exigindo esforço menor do conjunto. O comando variável de válvulas garante aproveitamento máximo de energia em variadas faixas de rotação. Por fim, os dutos de água para refrigeração foram desenhados para passar perto do catalisador, permitindo aquecimento mais rápido, o que também traz economia. Isso tudo somado criou o motor 1.0 mais econômico e potente do mercado, que gera até 82 cavalos quando abastecido com etanol.

Graças ao motor extremamente eficiente e carroceria construída com economia de peso, o Up! tornou-se o carro equipado com ar-condicionado e assistência de direção mais econômico do Brasil, classificado com nota A na mais recente avaliação do Inmetro (janeiro de 2014) no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBE), na qual abastecido com etanol (E100) marcou 9,1 km/l na cidade e 9,9 km/l na estrada (ou 13,2 e 14,3 km/l com gasolina E22). Na prática, durante o teste de 140 km entre Gramado e Porto Alegre, incluindo pequenos trechos urbanos no caminho, o computador de bordo marcou consumo de gasolina de 15,2 km/l.

VIDA FÁCIL A BORDO

A vida a bordo do Up! é bastante descomplicada. Tudo está à mão, o volante oferece pegada suave (mas só quando equipado com assistência elétrica), os bancos se ajustam na medida certa, a altura de cabeça é adequada, os assentos dianteiros são confortáveis e o ar-condicionado (de série só na versão topo de linha Black/Red/White e opcional por R$ 2.750) garante temperatura agradável – a Volkswagen desenhou a saída de ar central na parte de cima do painel para obter refrigeração mais rápida da cabine.
O Up! dirigido por este jornalista foi a versão Red, assim chamada porque traz detalhes internos do painel e portas no mesmo vermelho da pintura externa – o conceito é igual para as versões Black e White, que formam o trio topo de linha do carro. Nas opções B/R/W a cor do modelo também é repetida no logotipo VW cunhado no centro das rodas de liga leve de 15 polegadas, calçadas com pneus 185/60 de baixa resistência ao rolamento– outro fator de economia.

Up!
Na versão topo de linha do Up!, a Black/Red/White, as cores do exterior (preto, vermelho ou branco, no centro) são repetidas no painel e portas. Nesta opção estão incluídos no preço de R$ 39.390 itens como ar-condicionado, direção eletromecânica, som, controle remoto de travamento na chave e acionamento elétrico de travas e vidros. Os únicos dois opcionais são os bancos de couro sintético (direita) e o Maps&More (esquerda), tela sensível ao toque instalada no centro do painel que reúne navegação por GPS, conexão com celular e informações do computador de bordo.

O carro tinha também os dois únicos opcionais da versão top: o sistema Maps&More, pago à parte em todas as opções (R$ 1,2 mil), que reúne navegação por GPS, conexão com o celular e dados do computador de bordo em uma pequena tela removível, sensível ao toque; e revestimento dos bancos em couro sintético (R$ 670). Com isso, o preço da versão B/R/W sobe de R$ 39.390 para R$ 41.260.
Por isso essa avaliação pode ser considerada sobrevalorizada, pois o Up! nesta versão é completo e oferece todo o conforto possível, algo que certamente não seria percebido na opção de entrada Take Up! sem opcionais, que parte de R$ 28.900 (quatro portas). É um preço bom de marketing para colocar o carro na seara dos “populares”, mas que esconde distância abissal entre desconforto e conforto. Sem ar-condicionado nem direção eletromecânica, que juntos acrescentariam quase R$ 4 mil à tabela da versão básica, é certo que a opinião sobre o Up! seria bem menos generosa. Para ter um veículo bem equipado, o preço passaria facilmente dos R$ 35 mil.

Mas também é justo lembrar que o eficiente motor é o mesmo para todas as versões. Assim como o bom nível segurança, avaliado com cinco estrelas nos testes de impacto do Latin NCAP. Na avaliação, a estrutura de carroceria garantiu a proteção dos ocupantes. O carro também tem de série freios ABS e airbags frontais, conforme obriga a legislação, e importantes cintos de segurança dianteiros com pré-tensionador e limitador de carga (segura e solta, evitando traumas no tórax), algo ainda pouco oferecido ao consumidor brasileiro (nem como opcional).

Up!
A estrutura da carroceria do Up! foi projetada com cinco tipos de aços com diferentes graus de resistência, para reduzir peso e dao maior proteção aos ocupantes. O reforço nas portas preservou a cabine no teste de impacto do Latin NCAP a 64 km/h. O eficiente motor de três cilindros é o 1.0 mais potente do mercado e garante bom desempenho.

É inegável que o Up! seja um carro bem arrumado, acima da média na sua categoria no Brasil, entretanto está longe de ser um “diamante”, como a engenharia e marketing da Volkswagen se referem a ele. Essa falsa percepção pode ser atribuída ao fato de o consumidor brasileiro estar acostumado a veículos populares com níveis tecnológicos e de segurança tão baixos que, quando chega algo atualizado aos padrões globais, logo se afixa um selo de pedra preciosa. O Up! não é isso, até porque seu público-alvo não costuma comprar joias, mas recebe de bom grado tecnologias que há muito já deveriam ter chegado por aqui.