Com construção prevista para iniciar em até dez dias, as novas instalações contemplarão um novo laboratório para a realização de ensaios de certificação a partir do segundo semestre de 2013 e estará disponível para projetos das montadoras a partir de 2014. Além de atender as fabricantes instaladas na região, o novo centro também desenvolverá os projetos das importadoras.
De acordo com o diretor da unidade de catalisadores da Umicore para a América do Sul, Stephan Blumrich, com o novo laboratório a empresa terá maiores condições de atender as demandas atuais e futuras da indústria automobilística. “Com este investimento, nossos serviços e know-how tecnológico permitirão aos clientes atuais e futuros desenvolver sistemas de controle de emissões otimizados para o mercado sul-americano, e também possibilitará melhorar a nossa oferta e conquistar novos negócios”, avalia.
A empresa, de origem belga, tem por política investir cerca de 10% do seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento. O executivo diz que a tendência mundial é de que regiões como Ásia e América Latina ganhem mais destaque na participação do faturamento global na medida em que a fatia europeia diminui, a partir do crescimento dos mercados emergentes, impulsionados pelos países do Bric. Em 2011, a Europa foi responsável por 56% do ganho total da companhia (€ 14,5 bilhões), enquanto a América do Norte respondeu por 16% e América do Sul, 4%.
No Brasil, a expectativa é começar a fornecer para as montadoras que já anunciaram investimento por aqui. A Umicore participará do workshop da JAC para futuros fornecedores, marcado para os próximos dias 14 e 15 de maio na Bahia. Hoje, 90% de sua produção é dedicada ao segmento de veículos leves.
Além do aumento da demanda nos emergentes, a legislação de emissões e a inspeção veicular são apontadas pela empresa como os principais pilares para sustentar o crescimento dos negócios. Segundo o gerente de desenvolvimento de novos negócios, Carlos Moreira, a expectativa é de que a inspeção veicular, que hoje é uma exigência apenas em São Paulo e Rio de Janeiro, deva se estender para todo o País em dois ou três anos.
OS OUTROS BENEFÍCIOS DO PROCONVE
Com a entrada da nova legislação de emissões, o Proconve P7, em vigor desde 1º de janeiro deste ano, a empresa ganhou novo nicho de mercado: o de caminhões, para o qual começou a fornecer catalisadores. Em um investimento total de R$ 15 milhões, reequipou seu laboratório atual para realizar testes de motores a diesel. “Com a ampliação do centro tecnológico, que será mais moderno que o atual, aumentaremos nossa capacidade para atender também a demanda de caminhões”, ressaltou Blumrich.
Contudo, a novidade para o segmento está na tecnologia criada pela filial dos Estados Unidos, que desenvolveu sistema catalítico semelhante ao utilizado em motores Euro 5 que usa etanol no lugar de Arla 32, revela o diretor. Segundo ele, o sistema, lançado em maio do ano passado, tem desempenho similar ao utilizado atualmente pelas fabricantes de veículos pesados. “Para o Brasil, essa nova tecnologia é muito interessante pela disponibilidade do redutor, neste caso, o etanol, o mesmo encontrado facilmente em todos os postos do País. Infelizmente, a tecnologia não chegou a tempo de entrar no Proconve P7, mas estamos conversando com as montadoras e acredito que deva entrar em algum momento no mercado, algo como quatro anos.” Por enquanto, o executivo aposta que a primeira aplicação deve ser em motores a diesel mais etanol, utilizados em áreas agrícolas.
Blumrich afirma ainda que o custo do sistema também é semelhante ao utilizado nos veículos equipados com motores Euro 5.