Este ano, durante a oitava edição do encontro, alguns assuntos mereceram destaque e muita reflexão. O tema central foi competitividade, tópico que está em pauta em todas as engenharias, gerências e diretorias dos fabricantes de veículos e das indústrias de autopeças. Esta é uma questão que temos tratado com bastante assiduidade neste espaço.
Falaram também do aumento do IPI e da valorização do real frente ao dólar, que refletem na cadeia produtiva. Apesar de não caber a indústria a decisão de como operar esse cenário, devemos exercitar alguns cenários do nosso Custo Brasil: os chineses, quando instalarem suas linhas de montagem aqui, conseguirão ser tão ou mais competitivos quanto agora? A desvalorização do dólar significa necessariamente menor competitividade?
A indústria tem feito a parte dela, com investimentos em processos melhores, mais robustos e eficientes. Não basta comprar matéria-prima pelo menor preço, ter a mão de obra mais barata e a manufatura mais competente, se tudo isso esbarrar em políticas governamentais.
A lição que tiramos disso é de que sozinhos não conseguimos fazer o mercado acontecer tal como gostaríamos. É preciso união. Setor produtivo, governo, instituições de ensino e entidades de classe devem trabalhar em conjunto para desenvolver o setor de forma completa. Estamos todos do mesmo lado, mas cada um age de acordo com os interesses próprios, que nem sempre são os melhores para o setor como um todo.
É como aquela história do cobertor pequeno que hora cobre o rosto e descobre os pés e vice-versa. A boa notícia é que há solução para isso. Vejam o caso da Coréia. Nos anos 1970 e 1980 o país fez a lição de casa e investiu na principal área para impulsionar o crescimento: educação.
Com isso, conseguem desenvolver tecnologias e já se destacam mundialmente com produtos competitivos, inclusive aqui no Brasil. Quanto mais bem preparada estiver a nossa mão de obra, melhores serão os resultados.
Além disso, precisamos de infraestrutura. Não dispomos de sequer um laboratório independente para ensaios e desenvolvimento de produtos para as indústrias. As grandes empresas têm estrutura, mas para que possamos desenvolver o país, é necessário que todos tenham acesso aos processos, ferramentas e equipamentos mais modernos, que possibilitem o desenvolvimento tecnológico. A Finep – Financiadora de Estudos e Projetos, por exemplo, tem recursos, mas poucos procuram, pois não sabem como acessá-los.
Não podemos perder a grande oportunidade de conquistar novos mercados, assim como a China está fazendo. É preciso garantir investimentos conjuntos em pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Tenho percebido muita movimentação, mas pouca ação dos players do setor.
Nós, do IQA – Instituto da Qualidade Automotiva, entendemos que é preciso apoio às indústrias, universidades e governo para que estes elos conversem e encontrem juntos um plano de ação. Temos conhecimento, somos especializados no setor automotivo, sabemos os caminhos a percorrer para tornar a indústria automotiva brasileira um sucesso mas precisamos estar juntos.