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União Europeia aprova acordo com Mercosul e destrava maior tratado comercial do bloco

Após mais de 26 anos de negociações, decisão do Conselho da União Europeia abre caminho para a assinatura do acordo e amplia oportunidades para o Brasil
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Redação AB

09 jan 2026

3 minutos de leitura

A União Europeia deu um passo decisivo para a consolidação do acordo entre o Mercosul e o bloco europeu ao aprovar, na sexta-feira, 9, nas instâncias comunitárias, a assinatura do tratado negociado ao longo de mais de 26 anos.

A decisão foi tomada em reunião do Conselho da União Europeia e abre caminho para a formalização de um dos maiores acordos comerciais do mundo, integrando dois grandes blocos econômicos que, juntos, somam cerca de 720 milhões de pessoas e um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões.

O governo brasileiro considerou o aval europeu como um marco histórico para a política comercial do país e para o fortalecimento do multilateralismo. A cerimônia de assinatura deverá ocorrer nos próximos dias, em data e local ainda a serem definidos, com expectativa de que aconteça no Paraguai.

Indústria, investimentos e sustentabilidade no centro do acordo

Para o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, o tratado “fortalece o comércio baseado em regras, amplia investimentos e cria novas oportunidades para a indústria brasileira, além de incorporar compromissos relevantes na agenda ambiental”.

“Amplia investimentos e cria oportunidades para a indústria brasileira. Também reforça a agenda da sustentabilidade, com o compromisso do Brasil no combate às mudanças climáticas. É um acordo de ganha-ganha, que gera empregos, aumenta a competitividade e amplia a oferta de produtos mais baratos e de melhor qualidade”, afirmou.

No campo industrial, Alckmin ressaltou a relevância do mercado europeu para o Brasil. Em 2025, a indústria de transformação exportou US$ 23,6 bilhões para a União Europeia, valor equivalente a 12,5% de todas as exportações do setor.

“O Brasil assumiu um compromisso claro de combate ao desmatamento, preservação das florestas e redução das emissões de carbono. Esse compromisso foi fundamental para destravar as negociações. É um conjunto de fatores que permitiu avançar”, disse Alckmin.

Considerado o maior acordo comercial já negociado pelo Mercosul e um dos mais amplos firmados pela União Europeia, o tratado tem como objetivo a redução de tarifas, a ampliação do acesso a mercados, a facilitação de investimentos e o estímulo ao comércio de serviços entre os dois blocos.

Parte comercial do acordo pode entrar em vigor de forma independente

Com a aprovação pelo Conselho Europeu, o próximo passo será a assinatura formal do acordo. Em seguida, inicia-se o processo de internalização. A parte comercial do tratado precisará ser ratificada pelo Parlamento Europeu e pelos parlamentos dos países do Mercosul — Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.

Já os capítulos relacionados à cooperação e às questões políticas, como compromissos com direitos humanos e democracia, deverão ser submetidos aos parlamentos dos 27 países da União Europeia.

Um ponto relevante é que a entrada em vigor da parte comercial não depende da aprovação dos demais capítulos.

No caso brasileiro, ela poderá valer assim que for ratificada pelo Congresso Nacional e pelo Parlamento Europeu, mesmo que outros países do Mercosul ainda não tenham concluído seus processos internos. Alckmin acredita que o acordo possa entrar em vigor ainda em 2026.

Os números do comércio bilateral reforçam a importância da parceria. A União Europeia é o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China.

Em 2024, a corrente de comércio entre os dois lados alcançou US$ 100,1 bilhões, recorde histórico e crescimento de 4,8% em relação ao ano anterior. No mesmo período, cerca de 8,7 mil empresas brasileiras — aproximadamente 30% do total de exportadores do país — venderam para o mercado europeu, empregando mais de 3 milhões de pessoas.