A primeira adequação da “Nota Verde” envolve a substituição de notas numéricas absolutas para os poluentes controlados – monóxido de carbono (CO), hidrocarbonetos menos metano (NMHC) e óxidos de nitrogênio (NOx). Segundo a entidade, as notas numéricas não levavam em conta a normal variabilidade dos ensaios de emissão e foram corretamente substituídas por uma avaliação de mérito das emissões, representada pela atribuição de estrelas, dependendo da classe de emissão observada para cada veículo. No total, a pontuação máxima possível é de uma a cinco estrelas.
A segunda adequação diz respeito à base de dados utilizados, que passa a ser o conjunto de valores de emissões citados na homologação de cada veículo. Com isso, tem-se uma base de dados conhecida, representativa para comparações entre diferentes combustíveis e fácil de ser auditada, segundo a Unica.
A terceira adequação anunciada pelo MMA considera a incorporação, no critério da Nota Verde, da emissão nula de gás carbônico (CO2) devido ao uso do etanol, com base no critério do Painel Internacional de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU. O critério do IPCC, antes apenas mencionado, agora foi incorporado na avaliação de mérito do veículo capaz de operar com 100% de etanol. Essa qualificação é reconhecida na avaliação do veículo com uma das cinco estrelas possíveis.
A quarta adequação incorpora a avaliação da emissão de CO2 com gasolina, tanto para carros a gasolina como para os veículos flex abastecidos com gasolina, como critério de eficiência energética. Para os veículos mais eficientes, o critério vale uma estrela adicional na avaliação final.
Para a Unica, o resultado dos ajustes é uma avaliação melhor estruturada e baseada em dados mais completos, que permitem chegar a conclusões mais precisas, porém ainda carentes na avaliação das emissões de CO2, o poluente mais ligado ao futuro do planeta e principal causador do efeito estufa.
Pouca diferenciação
Entende a entidade que, com a revisão da Nota Verde, o peso das emissões de CO2 fica em 20% da avaliação final do veículo, o que significa pouca diferenciação entre o uso do etanol e o da gasolina. Trata-se de um percentual que fica aquém do observado em outros países que utilizam avaliações similares à Nota Verde, mas que chegam a atribuir às emissões de CO2 peso de até 50% sobre o resultado final.
A Unica ressalta, portanto, que a revisão do MMA não atribuiu às emissões de CO2 o mesmo peso dado às emissões de outros poluentes, deixando de reconhecer adequadamente a importante contribuição do uso do etanol para a mitigação do aquecimento global. Perde-se, assim, a oportunidade de dar ao consumidor uma indicação mais clara em favor do consumo consciente e responsável.
A nota distribuída pela entidade acentua que esta é uma carência importante, que deixa de reconhecer a própria realidade brasileira, repleta de avanços que boa parte do mundo ainda tenta conquistar – da frota flex brasileira que já atinge 37% dos carros em circulação, à tecnologia avançada desses veículos desenvolvida essencialmente no Brasil, à ampla rede de distribuição do etanol.
Copenhague
Às vésperas da reunião global em Copenhague (COP-15) para discutir como o mundo pretende enfrentar as mudanças climáticas, a Unica acentua que o MMA está desperdiçando uma oportunidade valiosa de dar um recado essencial ao mundo sobre a estratégia brasileira de produção e uso do etanol e seus resultados altamente positivos, estratégia esta que é vista como exemplo a ser seguido por outros países.
Cálculos realizados pela Unica revelam que desde 2003, quando foram lançados os automóveis flex, até outubro de 2009, o uso do etanol nesses veículos já evitou a emissão de 75,1 milhões de toneladas de CO2, o que representa um efeito equivalente ao obtido por aproximadamente 240 milhões de árvores nativas ao longo de 20 anos.