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Agência Estado
Os subsídios concedidos ao setor de etanol nos Estados Unidos devem cair até o fim do ano, na avaliação de Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica). “Achamos que as restrições vão cair, senão agora, na primeira semana de agosto, cairão no fim do ano”, afirmou na segunda-feira, 18, depois de participar de evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.
No dia 7 passado, os senadores dos Estados Unidos chegaram a um acordo para acabar, até o fim deste mês, com os dois subsídios concedidos à indústria de etanol no país: o crédito tributário de US$ 0,45 por galão de etanol misturado à gasolina não seria renovado, após expirar em 31 de julho próximo, e a tarifa de US$ 0,54 por galão de etanol importado também não seria renovada. O fim das subvenções ainda precisa ser votada pelo Senado.
Sem capacidade para exportar
Jank reconheceu que o Brasil, segundo maior produtor mundial de etanol, não tem capacidade neste momento para abastecer os EUA, caso as restrições sejam extintas, e não quis estimar um prazo para que isso aconteça. Ele ponderou, contudo, que a abertura do mercado americano contribuiria para criar um mercado internacional do biocombustível, ao incentivar a produção e a exportação em outros países. “O etanol ainda é um produto essencialmente doméstico.”
O presidente da Unica citou câmbio e logística como outros pontos que deixariam o etanol brasileiro longe do mercado norte-americano. “Mesmo com as tarifas desaparecendo, o álcool vai continuar não competitivo porque o real está altamente valorizado. O câmbio não atrapalha o açúcar, mas claramente atrapalha o etanol”, disse.
Jank preferiu não estimar quanto o Brasil poderia eventualmente exportar para os EUA, mas lembrou que o álcool de cana brasileiro é classificado na categoria “combustíveis avançados não-celulósicos”, capaz de cortar em 90% as emissões de gases de efeito estufa. A lei americana determina que 15 bilhões de litros deste biocombustível sejam utilizados até 2022. Hoje não há outro produto concorrente do etanol de cana que entre na categoria de avançado. Há alguns países, como os EUA, que produzem álcool de milho, beterraba e trigo, mas são considerados biocombustíveis convencionais porque reduzem o CO2 emitido em menos de 50%.
“O único combustível comercial que existe hoje nessa categoria é o etanol de cana e alguns tipos de biodiesel”, comentou o executivo. Por isso, caso o Brasil exporte etanol para os EUA, em algum momento haveria um prêmio embutido no preço. “Esse pode ser, no futuro, um dos fatores que vão induzir um novo ciclo de crescimento que a indústria precisa viver”, disse. Segundo ele, não há novos investimentos previstos no setor este ano. Há apenas um projeto de usina nova em curso.