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Como é usar um carro elétrico em provas de velocidade e de habilidade

Quando a gente pensa em usar um carro elétrico, logo surge a preocupação sobre o quanto o modelo vai rodar com uma carga e onde vai recarregar. Ao sair dessa esfera de aflição, o carro movido a bateria pode ser divertido. Muito divertido, diga-se de passagem.
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FernandoMiragaya

22 out 2024

4 minutos de leitura

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O Peugeot 2008 elétrico em ação na pista do Haras Tuiuti – Foto: Pedro Bicudo/Divulgação

Foi o que Automotive Business pôde experimentar no Haras Tuiuti a bordo do renovado Peugeot e-2008. O circuito no interior de São Paulo abrigou provas de velocidade, mas principalmente, habilidade, ao volante da opção elétrica do SUV compacto.


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Antes de mais nada cabe a apresentação e ressalva. Não sou piloto, nunca o fui. Dirijo bem até onde a humildade permite e os mais de 20 anos de avaliações dos mais diferentes carros em diferentes ruas, estradas e autódromos me dão uma boa casca.

Dito isso, entrei na pista do Haras Tuiuti sem qualquer pretensão de estar entre os primeiros, mas com o espírito competitivo de não fazer muito feio nesta etapa da e-CopaPeugeot. E com a vontade de me divertir e entender a exigência de uma dinâmica em uma prova que também demandava habilidades.

Carro elétrico na pista e entre cones

Vamos ao regulamento. Era preciso completar o traçado completo no menor tempo possível, obviamente, mas o circuito estava travado por dezenas de cones. E derrubar ou apenas beijar cada um deles representava penalização com 0,3 segundo.

Depois do reconhecimento da pista e dos obstáculos, largo para minha primeira volta e logo vem a descida para uma curva bem aberta à esquerda, que termina em outra curva “cega” à direita. A direção direta do e-2008 elétrico obedece às manobras com precisão.

Tento aproveitar ao máximo as tangentes em mais uma sequência de curvas e quando você acha que vai ganhar uma reta, mais uma curva fechada para a esquerda. O SUV elétrico da Peugeot torce menos a carroceria que seu par a combustão.

Enfim, uma reta para pisar fundo e uma curva boa para a direita, onde é possível usar e abusar da área de escape. Novamente o e-2008 aponta bem. Chega o trecho do “alce” – como no teste do alce, que obriga a uma manobra abrupta de desvio.

O motorista que vos escreve simplesmente esquece que após essa manobra tem uma parte curta de slalom. E dá um cutuco bonito em um dos quatro cones da sequência. Depois, mais uma curva cotovelo para ir para a baliza.

De volta à auto-escola

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Mesmo na curvas mais acentuadas SUV elétrico da marca francesa aponta bem – Pedro Bicudo/Divulgação

Sim, nos instantes finais da prova é preciso estacionar de frente em uma vaga e depois dar ré em outra vaga no menor tempo possível. Mas o lesado aqui perde segundos preciosos com as teclas do câmbio automático – e lamenta não ser uma tradicional alavanca.

Para concluir, uma reta curta para a arrancada final. Pé embaixo e o 2008 responde com aquela força descomunal de um carro elétrico de 258 cv até cruzar a linha que pausa o cronômetro.

Nesta primeira volta, fiz acima dos 2 minutos. Na segunda tentativa, já com as manhas dos pontos de maior atenção, passei melhor, sem penalidades, com 1’57”10. E pude ver o quanto a dinâmica do e-2008 é apurada.

Mesmo com centro de gravidade alto e um vão livre do solo de 17 cm, o acerto da carroceria e as baterias bem distribuídas no assoalho garantem um carro sempre na mão. O SUV ainda se beneficia de um entre-eixos curto, de 2,51 m, e de não ser tão alto (1,55 m) como seus rivais.

Para o motorista, o volante pequeno e de boa pegada e os bancos firmes ajudam na condução. De ruim, o i-Cockpit. O conceito é bem legal, com o quadro de instrumentos eletrônico recuado. Na prática, mesmo com o aro pequeno, invariavelmente a direção vai tapar as informações do painel.

Mobilidade elétrica à prova

A última volta era o tudo ou nada. Arrisquei mais e consegui passar ileso pelos cones. Porém, bobeei justamente por confiar demais na câmera de ré e bater apressado na barreira na hora da manobra de ré. 

Resultado, fiz o tempo de 1’56”00, mas com a penalidade fui a 1’59”00. Na média dos dois melhores tempos, fechei em 1’57”08 e um razoável 11º lugar entre 18 participantes. Só que o saldo que importa foi uma tarde divertida e esclarecedora em termos de mobilidade elétrica.