Para a CNI, “os resultados de junho apontam a quarta queda consecutiva da atividade industrial, com intensificação do movimento de baixa”.
O emprego diminuiu 0,5% e a massa salarial, 0,8%. Os dois itens registraram retração pelo quarto mês consecutivo, o que para CNI representa baixa atividade e começa a ter impacto sobre o mercado de trabalho. Na avaliação da Confederação, a Copa do Mundo teve papel importante, pois agravou o quadro com as interrupções de jornada e a queda nas vendas. Para Fábio Guerra, a massa salarial real é uma variável que mostra a retração do mercado de trabalho da indústria. Segundo ele, é preciso aguardar os próximos meses para ver se os resultados vão se repetir e o efeito Copa se confirmar.
“Antecipo, o que aparentemente é um paradoxo, mas com o emprego caindo, a massa salarial caindo e rendimento estável ou com leve crescimento, chamo a atenção à interpretação que, no momento de ajuste do quadro de trabalho, dado à fraca atividade da indústria, provavelmente, os primeiro postos de trabalho, os primeiros desligamentos, serão dos colaboradores com os salários mais baixos”, avalia Guerra. A indústria geralmente tem uma mão de obra mais qualificada e, portanto, é preciso aguardar os próximos meses.
No primeiro semestre, o faturamento real caiu 1% e as horas trabalhadas na produção tiveram queda de 2,2%, ante o mesmo período do ano passado. Na mesma base de comparação, o emprego acumula alta de 0,9% e a massa real de salários 3,8%.
Para o economista Flávio Castelo Branco, as incertezas da economia, como a elevação de juros, contribuíram para a queda nos investimentos. Ele acredita que o que pode reverter o quadro é quando o investimento reagir e mostrar trajetória de crescimento, entre outros fatores que podem melhorar este cenário, como o desenvolvimento da política monetária neste semestre.