Porém, mesmo com as inovações tecnológicas, o uso do etanol hidratado nos veículos leves não tem aumentado, conforme dados da Unica (União Nacional da Indústria da Cana-de-Açúcar). No gráfico abaixo, vemos que em 2010 o uso do etanol chegou ao pico de 25% do total de combustíveis usados em veículos leves. Nos últimos dois anos esse consumo permaneceu na média de 12% a 13%, mostrando que a maioria dos brasileiros ainda prefere encher o tanque com gasolina. Nessa conta não entra o uso do etanol anidro adicionado na proporção de 25% à nossa gasolina.

Os brasileiros têm seguido uma regra básica na hora de abastecer o carro flex: multiplicam o preço do litro da gasolina por 0,7 e se o preço do etanol estiver acima desse valor, então a decisão é pela gasolina. Se estiver abaixo, o etanol é escolhido.
Usando como exemplo dados levantados pela Unica, que mostra que no Estado de São Paulo, em março passado, o preço do litro do etanol era de R$ 2,058 e o da gasolina R$ 2,885, vemos que o etanol custa 71.33% do preço da gasolina – ou seja, uma relação de 0,713345.
Essa relação muda conforme o Estado brasileiro, safra, preço do etanol, preço da gasolina, data etc., conforme vemos no gráfico abaixo.
Em uma primeira análise, diríamos que, como o preço do etanol agora está numa relação acima de 70%, então é melhor usar gasolina. Mas outros fatores também podem ser usados na tomada de decisão, como veremos.
Tomando como base o resultado do PBE (Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular) do Inmetro, que até este mês mostrava o resultado do consumo energético de veículos de 36 marcas e 538 modelos/versões, dos quais 295 são flex, analisamos a seguinte situação:
O relatório mostra o consumo de etanol e gasolina, tanto na cidade como na estrada, em km/l, para cada modelo flex. A análise dos exemplos abaixo não indica qual o modelo mais econômico do PBE, mas se vale a pena abastecer com etanol quando seu uso é maior na cidade ou na estrada.
Na estrada, a melhor relação encontrada no relatório do PBE entre o consumo de etanol e gasolina foi do Honda Civic 1.8 automático, que rodou 10 km/l com etanol e 13,4 km/l com gasolina, uma relação de 0,7463, mostrando que no Estado de São Paulo, a preços atuais, o etanol é mais vantajoso na estrada neste modelo, pois com R$ 100 de etanol (a R$ 2,058/l) é possível percorrer 485,9 km, enquanto que com o mesmo valor de gasolina (R$ 2,885/l) dá para rodar 464,44 km. Porém, somente 13 dos 295 modelos flex do relatório se mostraram vantajosos nesta situação. A grande maioria ainda teria mais vantagem em rodar com gasolina.
Na cidade, a melhor relação entre o consumo de etanol e gasolina foi do Hyundai i30 1.6 automático, que teve um consumo de 6,8 km/l com etanol e 9,3 km/l com gasolina, uma relação de 0,7312, mostrando que no Estado de São Paulo e a preços atuais, o etanol é mais vantajoso na cidade para este modelo, pois com R$ 100 de etanol (a R$ 2,058/l) é possível percorrer 330,4 km, enquanto que com gasolina (R$ 2,885/l) dá para rodar 322,3 km. Porém, somente 20 dos 295 modelos flex se mostraram vantajosos em uso urbano.
Portanto, vemos que mesmo na situação atual, com o preço relativamente alto do etanol, ainda há veículos que têm vantagem em usar o etanol ao invés da gasolina. Sabemos que mudanças na política de preços da gasolina, ou maior oferta de etanol, podem rapidamente mudar esse cenário, restando ao consumidor fazer o cálculo ao abastecer o carro.
Fontes: Unica (www.unica.com.br) e PBE (Tabela PBE)