O caso das 200 mil cotas de consórcio já sorteadas e ainda não revertidas em compras mostra com clareza que o País vive uma crise de confiança: mesmo com o crédito na mão, o consorciado adiou a compra. Outra parte de consumidores investiu no carro usado, fazendo do segmento dos seminovos um sucesso de vendas em 2015, com crescimento de 34%.
Os compradores de carros de luxo, por sua vez, não viveram essa tal de crise. Audi e Mercedes-Benz cresceram mais de 30%. Subaru, Troler, Smart, Lexus e Jaguar também tiveram aumentos expressivos. Diante dos atenuantes de que a crise, portanto, não é tão avassaladora, a maioria dos dirigentes e analistas considera que a situação deve melhorar em 2016, continuando em baixa no primeiro semestre, mas iniciando uma retomada no segundo, de forma a encerrar o ano em pleno movimento de recuperação.
Apesar disso, pelo menos uma voz não faz coro com essa maioria. José Luiz Gandini, da Kia, acha que a situação, além de não melhorar, deverá ser pior em 2016. “Vamos ter saudades de 2015”, profetizou o empresário, ao fazer o balanço da sua empresa e do setor automobilístico. Ele acredita na deterioração dos negócios mesmo anunciando importação de carros da nova fábrica da Kia no México, sem, portanto, o pagamento do Imposto de Importação, o que vai melhorar a competitividade dos produtos da marca no Brasil.
Gandini trabalha ainda com o governo federal para aumentar a cota de 4,8 mil carros importados sem o IPI extra, alegando que a Kia é a única empresa que está sendo prejudicada com a medida. Nem essas melhorias fazem o empresário arriscar um palpite positivo. Ele acha que o volume de vendas do mercado interno, que em 2015 deverá chegar a 2,45 milhões de unidades, não passa de dois milhões de emplacamentos em 2016.
Este artigo foi publicado originalmente na Agência Autoinforme
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