
“Não basta ser o quarto maior mercado do mundo e ser apenas o sétimo produtor. É incompatível. Temos que produzir mais e é aqui que entra o veículo elétrico. O consumidor brasileiro não deve ser privado das tecnologias, ele deve ter acesso a elas. Normalmente, as tecnologias demoram para chegar ao mercado, temos como exemplo o flex, cujo desenvolvimento começou em 1994, mas só foi lançado em 2003, mas hoje já temos mais de 20 milhões de veículos flex vendidos”, defendeu Moan.
O vice-presidente da entidade, Antônio Calcagnotto, que também é diretor de relações institucionais e governamentais da Renault-Nissan no Brasil, assinalou que o País é dos mais atrasados no quesito medidas para incentivar veículos elétricos e híbridos:
“A nossa tentativa como entidade de entregar uma proposta ao governo é para tentar colocar o Brasil na rota que o mundo inteiro está adotando, de novas tecnologias para a mobilidade, que abrange não só automóveis, mas duas rodas, ônibus, trens, metrôs. A própria América Latina, como um todo, está mais adiantada que o Brasil, com a adoção de incentivos fiscais bastante interessantes”, ressaltou.
Segundo Calcagnotto, a medida encontrada pela maioria dos países da região que têm adotado veículos elétricos – México, Argentina, Equador, Colômbia, Costa Rica, Porto Rico e Chile – é a retirada de parte dos impostos incidentes para este tipo de produto, além de parcerias com prefeituras e empresas de distribuição de energia para levar estes veículos às ruas. Além disso, o executivo cita um novo estudo que está sendo desenvolvido pela Anfavea sobre medidas de incentivos para veículos pesados dotados de novas tecnologias, como caminhões e ônibus.
O executivo revela que os impostos representam 73% do custo de um veículo elétrico vendido no Brasil. Segundo ele, um Nissan Leaf, por exemplo, que hoje chega ao Brasil por R$ 210 mil, teria o preço reduzido para cerca de R$ 90 mil com a desoneração do IPI. Caso a empresa iniciasse a produção local do carro, o preço poderia cair para R$ 70 mil.
Para o gerente de assuntos governamentais da Toyota do Brasil, Roberto Braun, o Brasil ainda engatinha sobre a questão de carros elétricos:
“Estamos atrasados quanto à proposta do C40: quarenta cidades no mundo que assinaram um acordo para reduzir consideravelmente os níveis de emissões na próxima década. Do Brasil, apenas Rio de Janeiro e São Paulo fazem parte deste acordo. Ainda assim, as duas cidades tentam, de forma limitada, introduzir o uso de veículos elétricos, considerando mais o transporte público do que o individual.”
Veja abaixo reportagem exclusiva de Automotive Business no 9º Salão Latino-Americano de Veículos Elétricos: