
Ao contrário do que ocorreu com os automóveis, em que as novas tecnologias de propulsão registraram alta de quase 60% no primeiro semestre, os veículos pesados (caminhões e ônibus) movidos a eletricidade ou gás anotaram queda de 55,5% no período.
Das 604 unidades licenciadas na primeira metade de 2022, o volume caiu para 269 de janeiro a junho deste ano. O levantamento foi divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
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Do total entregue em 2023, os caminhões e ônibus elétricos responderam por 219 unidades, total 48,5% menor que o anotado na primeira metade de 2022. No caso do Volkswagen e-Delivery, essa retração foi de quase 80%.
O caminhão elétrico fabricado pela VW Caminhões e Ônibus (VWCO) teve apenas 27 unidades licenciadas em todo o primeiro semestre de 2023, 100 a menos que de janeiro a junho de 2022 (dados fornecidos pela Fenabrave).
Procurada, a VWCO alega que todo o mercado de caminhões registrou retração no primeiro semestre e que o mesmo teria ocorrido com a demanda por modelos elétricos. A montadora aponta como principais causas a economia e a baixa no preço dos combustíveis.
“Vemos essa diminuição como uma questão sazonal em virtude de toda a conjuntura do mercado. Apesar disso, o interesse dos clientes pelo e-Delivery continua crescendo, com consultas constantes. Temos confiança de que, com o reaquecimento do mercado de caminhões, voltaremos a crescer na participação de mercado desse modelo”, afirmou a fabricante por e-mail.
Desempenho fraco também nos pesados movidos a gás
Ainda de acordo com a Anfavea, os caminhões e ônibus a movidos a gás tiveram 177 unidades licenciadas nos primeiros seis meses de 2022 e apenas 50 veículos desse tipo de janeiro a junho de 2023, com consequente queda de 72%. De acordo com a Scania, a retração reflete o que ocorre no segmento de caminhões.
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“A queda nas vendas é grande pelos fatores do mercado como um todo. O ano de 2023 começou com projeção de queda pela Anfavea, com três motivos de maior impacto: aumento de preços [linha Euro 6], taxa de juros alta e restrição de crédito”, afirma o diretor de vendas de soluções de transporte da Scania, Alex Nucci.
No entanto, o executivo afirma que a montadora permanece otimista com a alternativa, porque a alta que ocorreu nas versões a diesel reduziu a diferença de preço das tecnologias. “Antes, os modelos a gás custavam cerca de 30% a mais que os caminhões Euro 5. Com a chegada do Euro 6 essa diferença caiu para 15% a 20%.”
Nucci informa também que a Scania já tem 80 encomendas de modelos a gás em carteira. Uma pequena parte já foi entregue e o restante chegará aos compradores durante o segundo semestre de 2023.