
A China é um dos poucos países que ainda realiza salões de automóveis. Até porque motivos para tanto não faltam: além de ser o maior mercado da indústria, as feiras costumam ter uma boa presença de imprensa e público.
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É por isso que grandes montadoras ainda reservam novidades importantes para o evento chinês. Em 2024 é a vez de Pequim ser palco da feira asiática, que tem modelos interessantes para o Brasil.
Veja a seguir alguns dos principais lançamentos e carros-conceitos revelados no Salão de Pequim.
Lamborghini Urus híbrido plug-in

O Urus, enfim, se rendeu à eletrificação e trouxe uma versão híbrida do tipo plug-in para o Salão de Xangai. Mas não pense que a mudança fez o SUV perder a esportividade que é marca registrada da Lamborghini.
Juntamente com o motor 4.0 V8 biturbo de 620 cv e 60,1 kgfm de torque máximo, a marca oferece um motor elétrico que entrega 191 cv e 36,3 kgfm. Os números combinados são de 800 cv e 71,5 kgfm, estes disponíveis a partir de 1.750 rpm.
O SUV híbrido precisa de 3,4 segundos para acelerar de 0 a 100 km/h – ou seja, 0,1 segundo mais ágil do que o Urus S. Bastam 11,4 segundos para chegar até aos 200 km/h, sendo 1,1 segundo a menos do que a versão S e 0,1 mais rápido do que o Urus Performante. A velocidade máxima do Urus híbrido é de 312 km/h, fazendo ele ser um pouco mais rápido que as versões que usam somente o V8 a gasolina.

Com uma bateria de íon-lítio de 25,7 kWh montada no assoalho, o Urus híbrido pode rodar até 60 km apenas com o uso da eletricidade e é capaz de chegar aos 130 km/h. Acima disso, o motor V8 entra em ação automaticamente.
O Urus SE oferece quatro modos de condução: EV Drive, Hybrid, Performance e Recharge. Segundo a Lamborghini, a eletrificação resultou em uma redução no nível de emissões de poluentes de 80%.

Além da nova motorização, o Urus recebeu uma discreta reestilização. Na frente, os faróis de LED matriciais exibem uma nova assinatura diurna cujo formato foi inspirado na cauda de um touro. Atrás, as lanternas receberam novas lentes.
O Urus SE será comercializado em mais de 100 opções de cores de carroceria e 47 variedades de revestimentos internos. Quem preferir mais exclusividade poderá recorrer ao programa Ad Personam, que customiza todo o veículo a um custo que só a imaginação pode definir.
Mini Aceman

O Aceman é um SUV compacto que será posicionado entre o hatch Cooper e o Countryman dentro da gama Mini. Com 4,07 metros de comprimento, 1,75 metro de largura e 1,49 metro de altura, ele é 36 centímetros mais curto, 9 centímetros mais estreito e 16 centímetros mais baixo do que o Countryman.
Além do porte menor, o Aceman se diferencia de seus “primos” por ser vendido exclusivamente com motorização elétrica. Na versão de entrada, ele entrega 184 cv e 29,5 kgfm de torque com uma bateria de 40,7 kWh, que resulta em autonomia de 310 km de acordo com o ciclo WLTP.
Já na versão SE, são 218 cv e 33,6 kgfm de torque, com bateria de 54,2 kWh e autonomia de 406 km. Futuramente haverá uma configuração esportiva JCW com novidades no design e mudanças no chassi para aprimorar a dirigibilidade, mas nenhuma alteração na potência.

Mesmo sendo menor do que o Countryman, o Aceman leva cinco passageiros e acomoda até 300 litros de bagagem no porta-malas. A cabine tem estilo semelhante ao do Cooper, com direito a uma tela tátil circular de OLED de 9,4 polegadas para a central multimídia.
Por sua vez, o sistema de entretenimento Mini Operating System 9 buscou inspiração nos smartphones, inclusive na interface de fácil manuseio. Entre os recursos disponíveis, destaque para o assistente pessoal Spike, que é capaz de reconhecer comandos de voz.

O Mini Aceman oferece oito modos sensoriais que mudam o ambiente interno, alterando iluminação ambiente, gráficos na tela da central multimídia e outras características.
O modelo será fabricado na China pela Spotlight Automotive, joint venture de divisão igualitária criada pelo Grupo BMW em conjunto com a GWM. O Aceman também será produzido na Inglaterra a partir de 2026 e futuramente deve ser lançado no Brasil.
Volkswagen ID.Code Concept

O ID.Code Concept é uma das novidades da Volkswagen para o Salão de Pequim. O grande destaque é o sistema de iluminação 3D Eyes, que “reage” à sua aproximação. A novidade é formada por dois componentes: o primeiro é uma faixa de 967 LEDs chamada Light Cloud capaz de simular a existência de “olhos” na frente do carro.
O segundo é o Light Screen, uma seção pintada com tinta transparente que pode exibir imagens sazonais de acordo com a estação do ano e até boletins meteorológicos. Caso um outro veículo dê passagem para o carro, a tela pode exibir um coração como sinal de agradecimento.

Se esses recursos lúdicos não te conquistaram, ao menos saiba que o ID.Code possui nível 4 de condução autônoma. Enquanto você viaja, os bancos dianteiros podem ser girados em 180 graus para criar uma espécie de sala de estar sobre rodas.
Por enquanto não há previsão de produção em série do ID.Code e a fabricante não revelou se alguma destas tecnologias podem se tornar realidade.
BYD Yangwang U7

A BYD já impressionou o mundo com a dupla de modelos da Yangwang: o SUV U8 é capaz até de fazer um giro de 360 graus sem sair do lugar, enquanto o U9 pode ser dirigido em três rodas.
O Salão de Pequim é o palco para a estreia do U7, sedã com nada menos do que 1.300 cv. O design esportivo repete alguns traços da identidade visual da Yangwang, mas se destaca pelo ótimo coeficiente aerodinâmico de 0,19 – um dos menores do planeta.
A suspensão ativa possui controles verticais, horizontais e longitudinais. Tantas configurações dão ao sedã bastante aderência e estabilidade nas curvas.

O U7 tem uma bateria de lítio-ferro-fosfato de 135,5 kWh que resulta em uma autonomia superior a 800 km. O problema está no peso da bateria de 903 kg, que corresponde a um terço do peso total – que é de 3.095 kg.
De acordo com o ciclo chinês CLTC (que costuma ser mais otimista do que os demais), o U7 pode rodar de 720 km a 800 km.
Mercedes-Benz Classe G elétrico

Um dos maiores ícones da história da Mercedes-Benz acaba de entrar na era elétrica. O G 580 EQ (e não EQG, como se especulava) já pode ser encomendado.
Felizmente, a marca decidiu mexer pouco nas linhas clássicas do Classe G. Apenas pequenas mudanças foram realizadas nos formatos da grade dianteira e do capô. As rodas de liga leve são exclusivas e o estepe na tampa do porta-malas foi substituído por um suporte para guardar o cabo de carregamento das baterias.

A cabine do G 580 EQ também não mudou tanto. Há a versão mais moderna do sistema de entretenimento MBUX e, de acordo com a versão escolhida, o jipe pode vir com itens como sistema de som Burmester e câmera frontal com sistema de capô transparente.
O jipe elétrico é movido por quatro motores elétricos que entregam potência combinada de 588 cv – cada um deles possui 147 cv. O torque chega a nada menos do que 118,6 kgfm. Segundo a Mercedes-Benz, o G 580 EQ precisa de apenas 4,7 segundos para ir de 0 a 100 km/h.
Como a prioridade é a aptidão no off-road, cada um dos quatro motores possui sua própria transmissão de duas velocidades. Isso faz com que o carro dispense o bloqueio de diferencial, recorrendo ao controle individual de atuação dos motores para vencer obstáculos.

Todos os componentes mecânicos e da bateria são completamente selados para que o veículo possa transpor trechos alagados de até 850 mm de profundidade – ou 150 mm a mais do que o Classe G a combustão. A parte inferior tem chapas de carbono e outros materiais reforçados para proteger a bateria de 116 kWh contra impactos. Com carga máxima de 200 kW, ela entrega autonomia de 470 km de acordo como o ciclo WLTP.
O Classe G elétrico será vendido a partir de 142.622 euros (ou R$ 785 mil em conversão direta) na configuração de entrada. É claro que esse preço pode aumentar no caso das versões especiais, como o Edition One, que acrescenta acabamento AMG Line, rodas AMG de 20 polegadas, estribos, acabamento em aço inoxidável e volante esportivo. Nesta configuração, a conta sobe para 192.524 euros – pouco mais de R$ 1 milhão.
