
A Ford deve encerrar a produção do Ka em São Bernardo depois de atingir perto de 900 mil unidades montadas lá desde 1997. Em 2007 o compacto foi redesenhado somente para os mercados latino-americanos, para ser o modelo de entrada da marca, e ficou diferente da geração lançada em 2008 na Europa, onde o carro é produzido em fábrica compartilhada com a Fiat na Polônia, a mesma que faz o 500. A Ford decidiu desglobalizar o produto vendido aqui em favor de redução de custos e maior adequação ao mercado local, ao mirar em consumidores que nessa faixa de preço buscam carros um pouco maiores do que era a versão anterior.
Agora esse modelo de negócio parece ter se esgotado, com clientes que querem coisa melhor e provocam uma nova onda de globalização de carros feitos aqui – onde a própria Ford está surfando com a promessa de globalizar totalmente seu portfólio no mercado brasileiro até 2015. Embora a Ford negue que existam planos de colocar fim à produção de modelos antigos ainda fabricados no País, a própria estratégia anunciada confirma isso.
“Conforme os novos produtos globais comecem a ser produzidos é natural que os velhos sejam descontinuados gradualmente”, disse Joe Hinrichs, presidente da divisão Américas da companhia, em entrevista concedida a um grupo de jornalistas logo após a apresentação do novo Ka, há uma semana. O próximo da lista de fim de linha da Ford, portanto, deve ser o Fiesta RoCam, que dará espaço à nova geração do Ka em Camaçari.
O Ka se junta este ano ao Fiat Mille e Volkswagen Kombi e Gol G4, outros que dão adeus às linhas de produção brasileiras também neste próximo dezembro. Contudo, o motivo é diferente dos demais, que deixam de ser produzidos por causa da inviabilidade técnica e econômica de introduzir nesses modelos airbags e freios com ABS, que passam a ser obrigatórios por lei em 100% dos veículos vendidos no País a partir de 2014. No caso do Ka ambos os sistemas de segurança poderiam ser adotados (a versão mais cara já vem com airbags de série), mas as vendas fracas parecem não compensar o esforço, pois isso encareceria o carro de entrada da Ford e empurraria seu desempenho comercial ainda mais para baixo.
Mesmo estando entre os veículos mais baratos do Brasil, com preço a partir de R$ 24,2 mil, as vendas do velho Ka comprovam a tendência de baixa de modelos desatualizados: de janeiro a outubro foram emplacadas 22,9 mil unidades, pouco menos da metade do desempenho no mesmo período de 2012, o que fez dele o 28º mais vendido (era o 12º no ano passado). Hoje o Ka é o carro 1.0 nacional com o pior desempenho do mercado brasileiro.