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Agência Estado
Com a alta do preço do etanol em razão de escassez na oferta na entressafra do centro-sul do Brasil, a comercialização de gasolina no país em abril bateu recorde, ao passo que as vendas do biocombustível chegaram ao fundo do poço, informou o Sindicato Nacional de Distribuidores de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom) nesta quarta-feira, 8.
“Nunca se vendeu tanto na história”, afirmou o presidente do Sindicom, Alísio Vaz. O executivo informou que as empresas do Sindicom, que têm quase 80% de participação no mercado de gasolina, venderam juntas 2,4 bilhões de litros do combustível em abril, contra 1,8 bilhão de litros no mesmo mês de 2010.
O recorde anterior de vendas de gasolina havia sido registrado em março deste ano, somando 2,3 bilhões de litros, quando o etanol também estava menos competitivo que a gasolina em praticamente todo o país.
Em contrapartida, a alta do preço do etanol afastou os consumidores do produto, que sofreu uma queda de 60% ante o mês de abril de 2010. Foi o pior desempenho mensal desde outubro de 2006, segundo Vaz.
As vendas de etanol das empresas do Sindicom, que têm cerca de 60% de participação de mercado do biocombustível, baixaram para 280 milhões de litros em abril.
Na média de 2010, quando em alguns períodos o preço ainda estava convidativo ao consumidor, a venda média foi de 750 milhões de litros de etanol ao mês.
Vaz afirmou que, com a entrada da safra e a ampliação da oferta, a comercialização de etanol em maio já mostra uma recuperação, num momento em que os preços recuaram em relação às máximas.
“Maio revelou que o fundo do poço ficou para trás. É cedo falar numa tendência, porque o preço já se estabilizou na refinaria”, declarou o presidente do Sindicom.
De acordo com dados preliminares, as vendas de etanol bateram 400 milhões de litros em maio, e as de gasolina, 2 bilhões.
“O álcool este ano vai ser competitivo para o consumidor que mora perto de áreas produtoras, mas é difícil imaginar preços atraentes em Roraima ou no Acre”, disse.
2011
Após crescer 8,7% em 2010, sustentado pelas vendas de gasolina e querosene de aviação, o mercado de distribuição de combustíveis deve ter uma expansão de pelo menos 5% este ano, segundo o sindicato das empresas.
“Vamos crescer alguma coisa em torno de 5% ou um pouco mais, acompanhando um pouco o ritmo da economia, que deve crescer uns 4%. (O avanço será) sustentado por essa perspectiva de um aumento da frota de veículos leves e com o aumento da classe emergente”, disse Vaz.
Em 2010, o crescimento das vendas de gasolina foi de 17,5%, e o de querosene de aviação, de 15,1%, ao passo que o etanol hidratado registrou uma queda de 8,5%.
“O crescimento da gasolina foi alavancado pela expansão do consumo e em parte também pelo aumento do preço do álcool. Já a expansão do mercado de querosene de aviação reflete bem o tráfego aéreo do país”, disse Vaz.
No primeiro trimestre deste ano, as vendas de gasolina subiram 7,6%, e as de querosene de aviação, 12,1%. O mercado como um todo avançou 3,7%.