
A venda de automóveis e comerciais leves usados em junho somou 843,7 mil unidades, queda de 0,7% na comparação com maio. Mas os 4,37 milhões de veículos negociados no semestre revelam queda ainda mais significativa, de 19,8%, na comparação com a primeira metade de 2021. Os números foram divulgados na quinta-feira, 7, pela Fenabrave, entidade que reúne as associações de concessionários.
Desde o início do ano, a retração no segmento de veículos usados vem sendo explicada pela queda também nas vendas de novos, que quase sempre envolvem um modelo de segunda mão como entrada. Outro motivo é que o mercado de usados tem enfrentado maior restrição na liberação de financiamentos, como aponta o presidente da Fenabrave, José Maurício Andreta Júnior.
Vale dizer ainda que 2021 foi o ano recorde em transações de usados e por isso é uma base de comparação elevada, sobretudo no primeiro semestre. Outro motivo, apontado por lojistas, é a valorização excessiva dos usados.
Veículos usados: vendas de caminhões recuam quase 25%
As transferências de caminhões de segunda mão em junho somaram 29,3 mil unidades, o que aponta retração de 2,1% na comparação com maio, mas com ligeiro crescimento de 2,6% na média diária de transações, que chegou a 1.396 unidades. No acumulado dos seis meses, contudo, as 151 mil transferências revelam queda de 23,6% na comparação com a primeira metade do ano passado, quando as vendas de usados chegaram perto de 200 mil unidades.
Só ônibus fecham semestre no azul
O mês de junho teve 3,9 mil transações de ônibus usados, o que representa pequena queda de 3,9% na comparação com maio, mas a média diária de vendas se manteve estável, com pouco mais que 180 unidades. O acumulado do ano teve 20,6 mil transferências e alta de 8,9% na comparação com o primeiro semestre do ano passado.
Os ônibus foram o único segmento a terminar o semestre com crescimento sobre iguais meses do ano passado. Mas essa alta se explica pelo baixo volume de vendas ocorrido na primeira metade de 2021, quando o segmento foi bastante afetado pela pandemia de Covid-19.
Motos tiveram menor queda na venda de veículos usados
Em junho foram negociadas 256,9 mil motos usadas, 6,6% a menos que em maio. Já o acumulado dos seis meses teve 1,41 milhão de unidades, retração de 12,1% na comparação com a primeira metade de 2021. De todas as quedas (automóveis, comerciais leves e caminhões), a no mercado de motos foi a menor.
Entre os números divulgados pela Fenabrave, chama a atenção a pequena taxa de motos usadas versus novas em junho: a cada moto zero-quilômetro emplacada no mês foram transferidas apenas 2,1 usadas.
Essa taxa foi menor que a de ônibus (2,2 usados para cada novo) e de caminhões (2,7:1). Isso é resultado de uma alta procura por motos novas.
Segundo a Fenabrave, tem muita gente trocando o carro pela moto por causa dos preços dos combustíveis. Outro motivo é a ampliação dos serviços de entrega para além da comida e documentos. Em maio e junho houve médias diárias de vendas elevadas (próximas a 6 mil unidades) e a produção nacional de motocicletas atingiu o nível mais alto em sete anos.