
De acordo com o vice-presidente da entidade, Milton Rego, o segmento de colheitadeiras foi severamente afetado. Totalmente dependente de linhas de financiamentos, como o Moderfrota e o Finame PSI, as vendas dessas máquinas de grande porte são concentradas entre dezembro e março, período de colheita da principal safra do ano. O volume de vendas para esta categoria fechou janeiro com 635 unidades, queda de 28,7% sobre janeiro de 2012 e retração de 48% sobre dezembro.
“Com este atraso da regulamentação do PSI, tivemos menos de uma semana de vendas no mês, apenas quatro dias úteis”, revelou Rego.
Já para tratores é comum registrar baixos volumes de vendas no início do ano, devido à sazonalidade, por não ser um período de plantio e sim de colheita. A retração das suas vendas no mês passado, de 31,1% contra janeiro de 2012, acentuou ainda mais o resultado negativo do segmento agrícola. Os tratores têm participação de 70% no mercado de máquinas no País.
Para este mês, o executivo da Anfavea garante que as vendas para o mercado interno já normalizaram. A entidade manteve a previsão de que o mercado de máquinas será estável em 2014, com leve crescimento de 1,1% sobre o ano passado, para um total de 84 mil unidades. Se confirmado, este será um novo recorde para o setor (leia aqui).
“O que aconteceu em janeiro foi pontual, uma situação isolada. As vendas já normalizaram neste fevereiro e devem continuar assim no restante do ano, considerando apenas o cenário para financiamentos, cuja taxa permanecerá em 6% durante todo o ano. Mas, se o problema de alteração das taxas de juros do PSI não for contornado antes do fim do ano, este é um cenário que voltará a acontecer”, alertou.
PRODUÇÃO E EXPORTAÇÕES
Com mercado interno parado, a produção retraiu 13,6% em janeiro na comparação anual, para 5.298 unidades, o pior resultado mensal da indústria agrícola considerando os últimos 24 meses. Contra dezembro, houve queda de 18,3%.
As exportações fecharam o primeiro mês do ano com 556 unidades, volume 32% menor que o registrado em janeiro do ano passado, principalmente por causa das fortes oscilações de câmbio registradas na Argentina, principal destino das máquinas brasileiras.
Assista a entrevista exclusiva de Milton Rego a ABTV: