
No início de setembro, logo após o recorde de mais de 420 mil unidades vendidas em agosto, a organização tinha apresentado projeção mais otimista. A aposta naquele momento era de que os volumes chegassem a 3,87 milhões de veículos, com crescimento de 6,7%.
JANEIRO A OUTUBRO
A revisão foi feita depois de resultados inferiores aos esperados em setembro e outubro. No mês passado os emplacamentos somaram 341,6 mil veículos, entre leves e pesados. Houve crescimento de 18,6% sobre setembro. A Fenabrave lembra, no entanto, que a alta foi impulsionada pela vantagem de três dias úteis para outubro, que teve 22 dias de vendas. A média diária de licenciamentos se manteve quase estável entre um mês e outro, com pouco mais de 15 mil unidades.
O volume diário ficou abaixo da expectativa do presidente da entidade, Flávio Meneghetti. Ele esperava que a média diária fosse ficar em torno de 16 mil unidades/dia até o fim do ano. As vendas de outubro também superaram em 21,7% o resultado do mesmo mês de 2011.
No acumulado dos 10 meses do ano foram emplacados 3,13 milhões de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. O total supera em 5,6% o resultado de janeiro a outubro de 2011. Para que o mercado cumpra a projeção da federação dos distribuidores, as concessionárias terão de vender 636,1 mil veículos em dois meses, uma média de 318 mil unidades/mês. “Temos poucos dias úteis nos próximos meses: novembro tem 19 e dezembro tem 18. Apesar disso, temos condições favoráveis para alcançarmos o crescimento esperado”, explica Meneghetti.
Segundo ele, os resultados serão impulsionados pela disputa das marcas por market share, que buscam atrair os consumidores no fim do ano com ações de marketing e promoções. Outro incentivo é o grande volume de vendas diretas. “As locadoras estão antecipando compras com a intenção de aproveitar o desconto do IPI”, conta.
EXPECTATIVAS PARA 2013
Mesmo sem ter ainda as projeções para o próximo ano, a entidade não acredita que o ritmo aquecido dos últimos meses vá resultar em uma queda dos volumes em 2013. O presidente da Fenabrave acredita que o setor terá um ano positivo, acompanhando o crescimento da economia, que deve avançar 3,5% segundo previsão da MB Associados.
Meneghetti não espera que o governo estenda ao ano que vem o desconto na alíquota do IPI, previsto para terminar em 31 de dezembro. “Não vejo muitas chances de que o incentivo seja mantido, mas vamos tentar negociar”, admite. Segundo ele, a alta carga tributária do País faz com que as empresas busquem incentivos constantemente.
Como um dos entraves ao crescimento das vendas no próximo ano, Tereza Fernandez, sócia-diretora da MB Associados, aponta a persistência da inadimplência, que pode refletir na oferta de crédito. Levantamento do Banco Central indica que os calotes acima de 90 dias tiveram leve alta de 0,1 ponto porcentual no setor de veículos, para 6% em setembro (leia aqui).
O aumento da inadimplência contraria previsões que apontavam para um recuo do índice antes do fim de 2012. “Devemos verificar uma desaceleração suave ao longo de 2013, mas a queda mais drástica só acontecerá em 2014”, acredita. Por enquanto a Fenabrave afirma que a liberação de crédito ainda se mantém superior a registrada no início do ano. “Em maio apenas 35% a 40% das fichas eram aprovadas. Hoje esse porcentual está entre 50% a 55%”, esclarece Meneghetti.

Assista à entrevista exclusiva com Flávio Meneghetti, presidente da Fenabrave:
