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Abeifa

Vendas das empresas da Abeifa caem 14%

Assim como o resto das empresas do setor automotivo, as companhias filiadas à Abeifa, associação que representa fabricantes e importadores de veículos, viram suas vendas caírem entre janeiro e maio de 2015. Com 35,3 mil unidades negociadas no mercado nacional, houve retração de 14% sobre igual período do ano passado. Os dados foram divulgados pela entidade na quarta-feira, 10. “A travessia da crise tem se mostrado mais longa do que esperávamos”, lamenta Marcel Visconde, presidente da organização. O executivo destaca que agora já não restam mais dúvidas de que a redução dos volumes é preocupante e não algo passageiro.
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Giovanna Riato

10 jun 2015

3 minutos de leitura

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Em maio as empresas representadas pela Abeifa venderam no mercado nacional 8,4 mil unidades. O resultado é 24,8% superior ao de abril e 13,3% maior do que o do mesmo mês do ano passado. A associação garante que a alta não indica o começo de uma recuperação e foi puxada pelo expressivo crescimento de uma marca: a Jeep, que começou a produzir e vender localmente o Renegade e alcançou bom resultado. “Isso mostra que, apesar do cenário adverso, o consumidor ainda está recebendo aberto para os bons produtos e lançamentos”, destaca Visconde.

Fora da bolha da Jeep, que conseguiu se blindar da crise com a chegada do SUV ao mercado, a queda nos negócios é quase unânime entre as companhias filiadas à Abeifa. Além da marca do grupo FCA, as únicas empresas que anotaram expansão nos primeiros cinco meses de 2015 entre as 27 associadas da entidade foram Changan, Dodge, Jaguar, Lamborghini, Lifan e Volvo. A dificuldade de elevar os volumes de vendas mostra, segundo Visconde, que a retração da demanda é generalizada entre os segmentos. “A fama de que as marcas premium estão blindadas da crise não é real. São só alguns casos pontuais”, enfatiza.

Ele cita o exemplo da Porsche, companhia que ele mesmo representa no mercado nacional. Entre janeiro e maio deste ano a procura pelos esportivos alemães diminuiu 4,8%, para 260 automóveis. “A pessoa que normalmente compra um carro de R$ 500 mil continua com dinheiro, mas em uma situação dessas não quer gastar”, analisa, lembrando que a falta de confiança na economia é um dos grandes motivos para que os clientes adiem a compra do carro nestes casos.

Nos segmentos mais populares há dificuldade de acesso ao crédito. O presidente da Abeifa avalia que, além da aprovação estar mais difícil, com critérios mais rigorosos dos bancos, os empréstimos encareceram com a subida dos juros. A inflação, que chegou a 8,47% nos últimos 12 meses – maior patamar desde dezembro de 2003 – corrompe o poder de compra e reduz, portanto, o interesse do consumidor em investir no carro novo.

“Para os importadores há ainda o agravante do dólar, que afeta mais a gente do que as montadoras instaladas no Brasil”, lembra. Visconde calcula que a moeda norte-americana teve valorização de 100% desde 2011. Como mais um complicador, ele destaca que as empresas têm grande dificuldade de repassar qualquer aumento de preço ao consumidor.


EXPECTATIVAS


A Abeifa decidiu manter a sua projeção mais recente, que aponta para vendas próximas de 80 mil unidades pelos seus associados este ano, com queda de 14% sobre 2014. “Vamos esperar o fechamento do primeiro semestre para traçar novas expectativas”, explica Visconde. Ele acredita que é preciso esperar para ver os efeitos do ajuste fiscal que está em curso no governo.

Paralelamente a entidade segue em negociação com o ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para ampliar as cotas de importação do Inovar-Auto, que hoje são limitadas ao máximo de 4,8 mil unidades por ano. “Isso nos daria flexibilidade para diversificar o mix de produtos”, conta o presidente da entidade.

Assista à entrevista exclusiva com Marcel Visconde, presidente da Abeifa: