
Antes do agravamento da epidemia de coronavírus e começar a isolar as pessoas em casa, a primeira quinzena deste mês registrou expressivo crescimento de vendas de veículos leves. Foram emplacados 112.185 carros e utilitários, o que representou avanço de 8,3% em relação aos primeiros 15 dias de fevereiro e um excepcional aumento de 42,9% sobre a metade de março do ano passado – neste último caso o porcentual foi inflado pela base achatada de comparação, porque no ano passado o carnaval ocorreu no início de março, reduzindo os emplacamentos naquele período. 
A média diária de emplacamentos na primeira quinzena de março também foi expressiva: 10.198 unidades por dia útil. O desempenho comprova que o mercado tinha apontado para cima.
Segundo comunicado da Fenabrave, que reúne os concessionários, a rede de revendas não sentiu o impacto da pandemia até o início desta semana. “Até agora, a Fenabrave não aponta redução nos emplacamentos de veículos – diz o comunicado – e garante que os estoques estão normalizados, com garantia de abastecimento entre 45 a 60 dias. Caso haja falta de peças e componentes na produção, é provável que tenhamos queda nos estoques da rede, mas esperamos que a situação se normalize antes que faltem veículos nas concessionárias”, diz a nota da entidade.
Não há relatos de redução de fluxo de clientes nas lojas, por enquanto. Como as medidas restritivas de circulação mais austeras foram tomadas há poucos dias é possível que esse cenário seja sensivelmente alterado nas próximas semanas.
Assim a Fenabrave manteve suas projeções de crescimento para 2020, que é de 9%. Do início deste ano até a primeira quinzena de março o aumento de vendas é de 6,5%, com de 488.947 unidades licenciadas, contra 459.156 no mesmo período do ano passado.
Para Enio Pinto, especialista do Sebrae, a crise que se instala na economia agora é causada fundamentalmente por um problema de caixa: “Na medida em que a população se vê forçada a circular menos e evita sair de casa, o consumo de produtos e serviços tende a ter queda significativa”.
Ele dá como dica para aumentar as vendas e reduzir os custos no momento de crise o aumento do uso das mídias sociais na prospecção e vendas, o reforço das plataformas de vendas on-line e negociação de prazos e preços com fornecedores.
_______________________________________________________Este texto foi publicado originalmente pela Agência Autoinforme
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