
A alta dos emplacamentos de veículos importados no primeiro semestre tem despertado sentimentos controversos no mercado. Se por um lado as fabricantes instaladas no país desejam inibir as importações, os consumidores buscam mais por esses veículos, principalmente os elétricos.
De janeiro a junho, segundo dados da Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotor;es (Abeifa), foram emplacados quase 45 mil veículos, alta de 235% no comparativo com o mesmo período do ano passado.
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Esse volume de importados, no entanto, representa apenas cerca de 5% dos licenciamentos gerais do mercado nos seis primeiros meses deste ano, que chegaram a 1,07 milhão de unidades.
“Em qualquer mercado é saudável uma participação dos importados em torno de 10% a 15%. No Brasil, temos cerca de 5%, são em torno de 200 mil veículos. Se as empresas não estão preparadas para essa competição, elas têm de repensar as estratégias do negócio no mercado brasileiro”, criticou Marcelo Godoy, presidente da Abeifa e da Volvo Cars.
Segundo ele, o consumidor brasileiro, assim como em todo mundo, busca por mais tecnologia e segurança nos veículos. E, por isso, recorrem aos carros importados em busca dessa maior tecnologia embarcada.
“A indústria massiva já passou do tempo de investir mais nesses itens. Acreditamos que temos que oferecer o que o consumidor deseja, se é o carro elétrico ou eletrificado, vamos ofertar. É esse o pensamento que deve nortear o mercado.”
Das 45 mil unidades importadas comercializadas pelas associadas da Abeifa no primeiro semestre, 92% (41.417) foram veículos eletrificados importados. Esses modelos ainda representaram mais da metade do total de híbridos e elétricos negociados no país na metade do ano.
Montadoras pedem tarifa cheia do Imposto de Importação
Nos últimos dias, as montadoras instaladas no Brasil pediram o retorno imediato da alíquota cheia do Imposto de Importação (II) para veículos. Pela regra, aprovada e negociada anteriormente, a volta da tarifa será de forma escalonada. Agora em julho, a taxação é de 18% e chegará a 35%, o imposto cheio, em julho de 2026.
“As empresas se prepararam e fizeram o estoque para o ano até julho. Não devemos ver mais navios chegando com carros importados até o final do ano. Por isso mesmo não faz muito sentido retomar a tarifa cheia do imposto agora. Não haverá muita importação”, ressaltou Godoy.
Para o ano, a expectativa da Abeifa é de que os emplacamentos dos veículos importados das associadas alcancem 96,8 mil veículos. “Esperamos que este pleito não seja levado adiante e o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio), na pessoa do ministro Geraldo Alckmin, já se manifestou em favor das regras estabelecidas.”
Inclusão do carro elétrico no imposto do pecado
Outra “anomalia” do mercado, segundo Godoy, é a inclusão do carro elétrico no Imposto Seletivo, o chamado “imposto do pecado”, no projeto de lei da Reforma Tributária. O dirigente ressaltou que a associação deve debater tecnicamente para retirar os elétricos no texto que será avaliado no Senado.
Na noite desta quarta-feira, 10, a Câmara dos Deputados aprovou a regulamentação do texto da Reforma Tributária com a inclusão do carro elétrico no imposto do pecado. Agora, o projeto de lei segue para o Senado.
“Estamos fortes nas discussões na Câmara e no Senado. Não faz o menor sentido a inclusão do carro elétrico no Imposto Seletivo. O argumento de que a bateria é prejudicial ao meio ambiente é frágil perto da entrega ambiental desse tipo de veículo”, afirmou Godoy.
Segundo ele, o que deve ser discutido é o descarte correto da bateria e isso pode ser avaliado no âmbito do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover).
“Hoje, não vai haver descarte das baterias são muito caras. Haverá sempre uma segunda vida ou até terceira para este equipamento. Isso é uma agenda política e não ambiental.”
