
Apesar da aparente recuperação das vendas do mercado de automóveis no Brasil, nada mudou para o segmento de importados, que continua com desempenho negativo. Segundo dados divulgados na quarta-feira, 5, pela Abeifa, entidade das importadoras de veículos, os emplacamentos de suas 17 associadas caíram 27% no acumulado dos seis primeiros meses do ano sobre igual período do ano passado, ao passar de 18,2 mil para 13,2 mil unidades.
-Veja aqui os dados da Abeifa
-Veja aqui outros dados dos importadores
– Veja outras estatísticas em AB Inteligência
A média diária dos emplacamentos fechou junho em 126,7 unidades, o melhor mês do ano até agora, mas equivalente ao pior mês do ano passado em termos de volume por dia útil. Em 2016, a entidade entregou pouco mais de 35,8 mil veículos no Brasil.
Segundo o presidente da entidade, José Luiz Gandini, só em 2018, com o fim dos 30 pontos adicionais de IPI aplicados sobre veículos importados para quem não tem fábrica no Brasil e previsto para terminar em 1º de janeiro próximo, é que o segmento voltará a registrar crescimento no País.
“Eu não acredito em grandes crescimentos, mas vamos crescer sim. Não tenho agora como precisar um porcentual, mas eu apostaria em algo em torno de 30%, 40%”, afirma Gandini, que aposta em alta de até 3% para o mercado total de veículos em 2017.
Sua projeção para os importados em 2018 pode significar a venda de 35,1 mil a 37,8 mil unidades, caso a previsão para 2017 se consolide. No início deste ano, a Abeifa previa a venda de 25 mil importados: “Como chegamos a pouco mais de 13 mil veículos no semestre, podemos ter um pequeno alento e chegarmos a 27 mil”, projeta Gandini. Caso este número se concretize, isto significará queda de 24,7% sobre 2016.
Gandini recorda que apesar da lógica de crescimento dos negócios para o ano que vem, o volume previsto está muito distante do recorde de 2011, quando o setor atingiu as 199 mil unidades licenciadas.
“Não vamos mais atingir este volume, não vejo condições de repetir o recorde, é totalmente inviável”, lamenta. “Em partes, porque no auge de 2011, tínhamos um dólar a R$ 1,60. Para 2018, esta média deve ficar no mínimo em R$ 3,30”, projeta.
O executivo informa que há previsão de que novamente o setor deve registrar sobra de cotas não utilizadas por outras marcas. Vale lembrar que cada importadora recebe um volume limitado a 4,8 mil veículos por ano (dependendo da média de vendas dos últimos 3 anos) e sobre a qual não incide os 30 pontos porcentuais adicionais de IPI. Gandini diz não acreditar que o governo vá decidir qualquer mudança sobre as cotas não utilizadas. A Abeifa solicitou ao MDIC a permissão de realocar estas cotas para outras marcas a fim de utilizá-las em sua totalidade. “É um absurdo, não tem cabimento; não quer arrecadar? Deixa a gente pagar imposto; mas não adianta, ninguém vai assinar nada do jeito que as coisas estão”, afirma referindo-se à turbulência política do País.
Apesar dos negócios ainda em baixa, a rede de concessionárias se mantém em 450 casas, o mesmo patamar registrado no fim de 2016. O número de empregos
“Tenho convicção de que vai aumentar um pouco no ano que vem. AS empresas estão se planejando agora, depois que ficou claro que não haverá mais o IPI maior com o novo Rota 2030. Não descarto também a possibilidade da volta de algumas marcas, como SsangYong ou a própria Geely, mas outras chinesas [Jimbei, Hafei, Changan] não acredito que voltem ao mercado brasileiro.”