
Para a consultoria, faltando 75 dias para o término do ano, mesmo com o incentivo do IPI reduzido até 31 de dezembro, outros fatores influenciam mais fortemente na decisão do consumidor brasileiro, como o aumento de juros, restrição de crédito, dúvidas quanto ao futuro decorrente da inflação, além da greve bancária, eventos políticos e até mesmo a pressão pública contra o transporte individual.
No setor de duas rodas, a expectativa é de queda de 9,2% das vendas, para 1,64 milhão de unidades. O recuo é puxado pelo índice de endividamento da população, o que resulta em maior restrição ao crédito, além da alta da inflação.
Por outro lado, o segmento de caminhões vive cenário bem diferente: segundo a consultoria, com a elevação da Selic para 9,5%, aumentou ainda mais a vantagem de se comprar pelo Finame PSI, financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). As vendas podem alcançar 157 mil unidades, crescimento de 14% sobre o volume do ano passado: a estimativa é 6,1 pontos porcentuais maior do que a projetada pela Anfavea, associação das fabricantes, que espera aumentar as vendas de caminhões em 7,9% este ano sobre 2012.
Com isso, o setor de pesados tem outros desafios a enfrentar: tempo para entregar os pedidos já programados, impacto do provável anúncio dos novos juros do PSI, que certamente serão maiores, necessidade de maior volume de recursos e a velocidade para operar o crédito do BNDES.