
– Veja aqui os dados da Anfavea.
As novas previsões apresentadas pela entidade atestam que o segmento de veículos pesados – caminhões e ônibus – puxarão o desempenho do setor para baixo, cuja queda é prevista em 31,5%, para 113 mil unidades. Os caminhões devem somar 90 mil unidades, volume 33,2% menor do que os 134,9 mil vendidos em 2014, enquanto ônibus devem fechar o ano com 23 mil unidades, representando retração de 16%. É a primeira vez que a entidade divulga sua projeção para o segmento de veículos pesados.
Já o segmento leve deverá sofrer queda bem menos acentuada, de 12,3%, para 2,92 milhões de automóveis e comerciais leves, segundo a nova projeção.

Na projeção anterior, divulgada em janeiro deste ano, as montadoras previam vendas estáveis na comparação com 2014, para as mesmas 3,49 milhões de unidades. A revisão foi impulsionada pelo resultado fraco registrado já no primeiro bimestre, acentuado com o fechamento do trimestre, cuja queda foi de 17% contra igual período do ano passado, para 674,3 mil veículos.
Deste total, o volume de 649,8 mil emplacamentos de veículos leves (automóveis e comerciais leves) representou recuo de 16,2% na mesma base de comparação. Com apenas 19 mil caminhões licenciados no período, houve queda de 36,6%, enquanto ônibus, com 5,2 mil chassis, recuaram 24,8%.
“Já prevíamos um trimestre extremamente ruim, com o segmento de caminhões apresentando queda muito pior”, comenta Luiz Moan, presidente da Anfavea, durante a apresentação dos resultados em São Paulo.
O presidente da Anfavea cita a venda de veículos usados, que também registrou queda acentuada no segmento de pesados: “Enquanto as vendas de leves subiu 2,4%, a de de caminhões usados recuou 4,1%. Vale lembrar que o usado muitas vezes serve como pagamento da entrada e isso reflete no mercado de novos”.
O executivo relembra os fatores que vêm exercendo influências negativas sobre o desempenho do setor e cita, entre outros, o nível menor de concessão de crédito para o setor de veículos (leia aqui).
“Mas sem dúvida, o que mais afeta o setor é o nível de confiança do consumidor e do investidor. Enquanto não houver aprovação das medidas do ajuste fiscal já proposto, haverá incertezas, e não só do consumidor: os investimentos só retornarão quando houver certeza dos ajustes. Aumentando o nível de investimento, volta a confiança também no consumo”, afirmou.
Moan também defende que se no primeiro trimestre, a queda foi de 17%, significa que o setor deverá vender 12% a mais nos próximos nove meses para que o ano termine com a retração de 13% prevista pela entidade.
“O segundo trimestre (abril a junho) também será difícil, mas menos que o primeiro. Teremos incidência de feriados, como no primeiro, com o carnaval; prevemos que não será tão difícil, mas não será fácil. O segundo semestre, sem dúvida, será melhor que o primeiro. A expectativa é de que as medidas de ajuste sejam aprovadas o mais rápido possível.”
Assista a entrevista exclusiva de Luiz Moan, presidente da Anfavea: